segunda-feira, 11 de agosto de 2025

5. Tem Que Ser Da Vontade De Deus

Mesmo que sua oração seja humilde e atenda a todas as condições para que Deus a ouça, ainda existe um fator que vai determinar se o seu pedido será ou não atendido: a vontade de Deus. Se a sua oração não estiver de acordo com a vontade dEle, Ele não a atenderá (Jeremias 11:14; Deuteronômio 3:25-26).

Deus sabe o que é melhor para nós (Deuteronômio 23:5). Ele é Pai. Imagine você, como pai ou mãe, acaso não saberia discernir o que é bom ou ruim para seu filho? Assim também é Deus:

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mateus 7:11, RA).

Portanto, em suas orações, peça sempre para que se cumpra a vontade de Deus. Jesus era justo e perfeito, mas também experimentou sentimentos e emoções humanas, sujeitas à dor, ao sofrimento e à limitação. Por isso, em suas orações, Ele mesmo se submetia à vontade do Pai:

“Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres” (Mateus 26:39, RA).

Portanto, orar em nome de Jesus, com humildade, justiça, fé e submissão à vontade de Deus são elementos indispensáveis para uma oração eficaz. Não se trata apenas de palavras bem formuladas ou de repetir fórmulas religiosas, mas de um relacionamento sincero com o Pai por meio de Cristo.

Assim como Jesus confiou no Pai mesmo em meio à dor, nós também devemos confiar, sabendo que Ele nos ouve, nos ama e sabe exatamente o que é melhor para nós. Que a sua oração seja sempre um momento de entrega, confiança e obediência.

“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5:14, RA).


Continue estudando mais sobre o Poder da Oração:

1. Como Orar

2. Para Onde Vão As Orações

3. O Espírito Santo Nos Ensina A Orar

4. Condições Para Que Deus Ouça As Orações 

5. Tem Que Ser Da Vontade De Deus

6. Deus Quer Ouvir As Orações

7. Tenha Atitude

8. Peça Com Fé

9. Orai Sem Cessar

10. Deus Sempre Ouve e Responde Nossas Orações

4. Condições Para Que Deus Ouça As Orações

 “Toda oração, toda súplica que qualquer homem, de todo o teu povo Israel, fizer, conhecendo cada um a chaga do seu coração e estendendo as suas mãos para esta casa, ouve tu, então, nos céus, assento da tua habitação; perdoa, age e dá a cada um segundo todos os seus caminhos, e segundo vires o seu coração, porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens” (1 Reis 8:38-39, RA).

Na oração de Salomão, vemos que Deus ouve aqueles que reconhecem suas fraquezas e se aproximam dEle com sinceridade. No entanto, a Bíblia nos mostra que existem condições para que Deus ouça e atenda nossas orações. Vejamos algumas delas:

Humildade Sozinha Não Basta

A reverência e a humildade são essenciais, mas por si sós não são suficientes. Deus não ouve orações de quem vive no pecado sem arrependimento, mesmo que fale com aparente reverência:

“O Senhor diz: “Esse povo ora a mim com a boca e me louva com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A religião que eles praticam não passa de doutrinas e ensinamentos humanos que eles só sabem repetir de cor.” (Isaías 29:13 NTLH)

Deus quer um coração verdadeiro, e não apenas palavras decoradas ou práticas religiosas sem vida.

Deus Ouve a Oração de Seus Filhos

Alguns pensam: “Se Deus ouve a oração de seus filhos, então Ele ouve a oração de todos, porque todos somos filhos de Deus.” Mas isso não é o que a Bíblia ensina. A Palavra deixa claro que só é filho de Deus quem crê em Jesus e nasce de novo:

“Quem é filho de Deus não continua pecando, porque a vida que Deus dá permanece nessa pessoa. E ela não pode continuar pecando, porque Deus é o seu Pai.” (1 João 3:9 NTLH)

Jesus afirmou aos fariseus religiosos, que resistiam à verdade:

“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (João 8:44 RA)

Ou seja, nem todos são filhos de Deus, embora todos sejam criaturas dEle (Malaquias 2:10; Atos 17:28-29). Somente aqueles que receberam a Cristo, pela fé, são adotados como filhos:

“12  Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; 13  os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1:12-13 RA)

Deus Ouve o Pecador Arrependido

Embora Deus ouça prioritariamente os justos, Ele pode ouvir o clamor sincero de um pecador arrependido. Quando alguém, ainda perdido, busca a Deus com humildade, reverência e arrependimento, Deus age com misericórdia.

Exemplo disso é Cornélio, um homem piedoso que ainda não conhecia plenamente a salvação em Cristo:

“As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus.” (Atos 10:4, RA)

Esses casos mostram que Deus se revela àquele que o busca com sinceridade, e esse é o início da verdadeira filiação espiritual: por meio de Jesus.

Ser Justo Diante de Deus

Outra condição para que Deus ouça nossas orações é ser justo:

“O Senhor está longe dos perversos, mas atende à oração dos justos” (Provérbios 15:29, RA).

Mas você pode estar se perguntando: como ser justo diante de um Deus santo, irrepreensível e perfeito? Pois bem, antigamente ofereciam-se sacrifícios de animais para o perdão dos pecados. Por um tempo, as pessoas eram justificadas, mas logo voltavam a pecar e tornavam-se “impuras” novamente.

Jesus É A Chave De Tudo

Jesus é o único caminho que nos torna filhos de Deus e nos justifica diante dEle:

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5:1, RA)

É por meio de Jesus que nossa vida é transformada, nosso coração regenerado e nossa mente moldada segundo a vontade de Deus. Somente assim somos considerados justos e filhos, e passamos a ter livre acesso ao Pai em oração:

Se alguém tem pecado, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (1 João 2:1, RA)

Quando Jesus morreu pelos nossos pecados, Ele os perdoou todos, inclusive aqueles que ainda vamos cometer. Basta aceitar com humildade o seu sacrifício na cruz, e você será justificado. Seja salvo agora!

Se o Senhor é o seu Salvador, então Deus pode ouvir as suas orações.

Jesus O Nosso Intercessor

Já percebeu que muitas orações terminam com a frase: “em nome de Jesus”?

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (João 14:13, RA).

Isso não é uma palavra mágica que garante que tudo o que você pedir acontecerá. É simples de entender: Jesus já fez tudo por nós. Seu sacrifício foi completo na cruz (Hebreus 9:26). Deus não lhe concederá nada com base em seus próprios méritos, pois nós não merecemos nada (Romanos 3:10-12; Efésios 2:8-9). Mas Jesus intercede por nós diante de Deus, e é através dEle, por meio dEle, e somente por Ele que podemos alcançar os ouvidos de Deus por meio das nossas orações:

“Portanto, também pode salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25, RA).

É impossível chegar até Deus sem Jesus Cristo:

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6, RA).

Sem Ele, ainda estamos em pecado (Romanos 6:23). Estamos sujos, e o pecado não pode permanecer na gloriosa presença de Deus (Isaías 59:2; Habacuque 1:13). Por isso, Jesus foi, de certa forma, abandonado por Deus na cruz. Naquele momento, Ele não carregava os próprios pecados, pois nunca pecou (1 Pedro 2:22), mas levava sobre si as nossas culpas:

“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades [...] o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:5-6, RA).

Foi esse peso do pecado que provocou o afastamento entre Ele e o Pai naquele instante:

“E, à hora nona, exclamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15:34, RA).

Portanto, quando orar, peça ou agradeça sempre em nome de Jesus. Essa é mais uma das condições para que Deus ouça as suas orações (João 15:16; 1 Timóteo 2:5).


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1. Como Orar

2. Para Onde Vão As Orações

3. O Espírito Santo Nos Ensina A Orar

4. Condições Para Que Deus Ouça As Orações 

5. Tem Que Ser Da Vontade De Deus

6. Deus Quer Ouvir As Orações

7. Tenha Atitude

8. Peça Com Fé

9. Orai Sem Cessar

10. Deus Sempre Ouve e Responde Nossas Orações

3. O Espírito Santo Nos Ensina A Orar

“Assim também o Espírito de Deus vem nos ajudar na nossa fraqueza. Pois não sabemos como devemos orar, mas o Espírito de Deus, com gemidos que não podem ser explicados por palavras, pede a Deus em nosso favor.” Romanos 8:26

Mesmo depois de termos sido perdoados por Cristo, ainda enfrentamos fraquezas, dúvidas e pensamentos que não condizem com a vontade de Deus. Às vezes, nos ajoelhamos para orar e nos sentimos confusos, distraídos ou até indignos. Há momentos em que não sabemos nem o que pedir, ou pedimos coisas que parecem boas aos nossos olhos, mas não correspondem ao melhor que Deus tem para nós.

É justamente nessas horas que o Espírito Santo entra em ação. Ele não leva nossa oração até Deus como um mensageiro que corrige palavras erradas, mas intercede por nós com profunda compaixão e entendimento, pois conhece a vontade perfeita do Pai e conhece também o nosso coração.

O Espírito nos ajuda não apenas transmitindo a Deus o que falamos, mas alinhando nosso coração com o coração do Pai. Quando nossas palavras falham ou nossa mente se embaraça, Ele intercede com gemidos que não podem ser explicados em palavras humanas, mas que são plenamente compreendidos por Deus.

Essa verdade nos consola: nossas orações não precisam ser perfeitas para serem ouvidas, pois Deus não está interessado em discursos bem estruturados, mas em corações quebrantados e dependentes d’Ele. É o Espírito que fortalece nossa oração, mesmo quando ela é fraca ou imperfeita.

“O que examina os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Romanos 8:27 – RA).

Portanto, confie: mesmo quando você não sabe o que dizer, ou sente que não consegue orar como gostaria, ore assim mesmo. O Espírito está com você, ajudando, intercedendo, e levando a Deus um clamor verdadeiro, sincero e conforme a Sua vontade.


2. Para Onde Vão As Orações

“Então os sacerdotes e os levitas se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida; porque a sua oração chegou até à santa habitação de Deus, até aos céus” 2 Crônicas 30:27

Essa passagem revela uma verdade essencial e consoladora: nossas orações não se perdem pelo caminho, não ficam presas em obstáculos terrenos, nem dependem de intermediários humanos ou espirituais. Elas têm um destino certo e claro: chegam até a habitação de Deus, nos céus.

No contexto do versículo, o povo de Israel havia celebrado a Páscoa com grande arrependimento e alegria, e os sacerdotes e levitas intercederam em favor da nação. O texto afirma que “a sua voz foi ouvida”, o que mostra que Deus estava atento à oração sincera feita com fé e coração quebrantado.

Esse princípio permanece verdadeiro para nós hoje. Quando oramos, nós falamos diretamente com Deus. Não é necessário (nem bíblico) orar a santos, a pessoas falecidas ou esperar que alguém no céu leve nossas petições até Deus. A oração é um acesso direto e pessoal ao Pai celestial, como ensina o apóstolo Paulo:

“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2:5).

Portanto, a oração sobe aos céus porque Jesus, nosso Mediador, abre o caminho livre para que cheguemos ao trono da graça com confiança (Hebreus 4:16). Não há desvios, atalhos ou intercessores humanos no caminho. Deus nos ouve diretamente quando oramos com sinceridade.

Essa verdade traz alívio ao coração: você pode falar com Deus a qualquer momento, em qualquer lugar, e Ele ouve. Não é preciso peregrinar, nem acionar santos, nem repetir fórmulas. Basta um coração sincero, quebrantado e confiante no poder de Deus e na mediação de Cristo.


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1. Como Orar

2. Para Onde Vão As Orações

3. O Espírito Santo Nos Ensina A Orar

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10. Deus Sempre Ouve e Responde Nossas Orações

1. Como Orar

Demonstre humildade, Respeite a Deus e reconheça Sua autoridade

Para conversar ou simplesmente estar diante de alguma autoridade, existem certos protocolos e regras que devem ser seguidos. Antigamente, ao entrar na presença de um rei, uma pessoa não podia olhar diretamente em seus olhos. Antes, devia fazer uma reverência e aguardar autorização para falar ou levantar os olhos. Do contrário, poderia ser punida com a morte, era simples assim.

A Bíblia confirma esse tipo de comportamento diante da realeza. Ester, por exemplo, temeu por sua vida ao considerar entrar na presença do rei Assuero sem ser chamada (Ester 4:11). Neemias também relata que teve grande temor ao mostrar tristeza diante do rei Artaxerxes, pois tal atitude poderia ser mal interpretada (Neemias 2:1-2). E quando os irmãos de José se apresentaram diante dele, como governador do Egito, abaixaram a cabeça e se inclinaram em sinal de reverência (Gênesis 43:28).

Com Deus, também devemos ter esse respeito. Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores. Devemos demonstrar humildade e total dependência dEle. Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano para mostrar como Deus se agrada de uma oração feita com o coração humilde (Lucas 18:9-14). Ao orar, incline sua cabeça, seja reverente e humilde. Isso não significa que não podemos ser ousados, mas a ousadia deve vir acompanhada do reconhecimento e da gratidão, pois foi o sacrifício do Seu Filho amado na cruz que hoje nos dá acesso ao Pai, uma vida abundante aqui na terra e a promessa da vida eterna (João 10:10; João 3:16).

Seja original em suas orações

Deus quer ouvir você, e não apenas frases repetidas e decoradas. Em Mateus 6:5-8, Jesus ensina que não devemos orar como os hipócritas que gostam de se exibir, nem usar vãs repetições como os gentios. Ele conhece o que precisamos antes mesmo de pedirmos. Logo em seguida, Jesus apresenta o “Pai Nosso” (Mateus 6:9-13), que é um modelo de oração, mas não uma fórmula rígida. Deus quer ouvir sua oração sincera, vinda do coração.

Alegre-se no Senhor; não se apoie em pensamento positivo, mas em fé

Poderíamos dizer: "Se está ruim agora, pense que poderia estar pior", ou ainda: "Se você está enfrentando dificuldades, lembre-se de que há pessoas em situações iguais ou até piores que a sua". Em outras palavras, pense positivo.

Apesar de parecer uma abordagem correta, não é exatamente assim que a Bíblia nos ensina. A alegria cristã não se apoia em pensamento positivo, mas na realidade da graça de Deus, na certeza da Sua presença e fidelidade mesmo em tempos difíceis (Lamentações 3:21-23; João 16:33). Em momentos de aflição, a Bíblia não nos orienta a simplesmente “pensar positivamente”, mas sim a renovar a mente com a verdade (Romanos 12:2), consolar-nos com as promessas (2 Coríntios 1:3-5), orar com confiança (Filipenses 4:6-7) e alegrar-nos no Senhor (Filipenses 4:4), e não nas circunstâncias

Seja grato a Deus

Lembre-se sempre de ser grato a Deus (Filipenses 4:6; Colossenses 1:3). Quando parecer que nada de bom está acontecendo, volte seus olhos para a verdade da Palavra. Não se deixe dominar pelas mágoas e aflições desta vida, pois isso pode manter seu coração preso apenas às circunstâncias. O maior bem que recebemos foi a salvação, um presente imerecido e eterno (Romanos 5:1-2; Efésios 2:8-9; Tito 3:5; João 3:16; 1 João 5:11-13).


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1. Como Orar

2. Para Onde Vão As Orações

3. O Espírito Santo Nos Ensina A Orar

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10. Deus Sempre Ouve e Responde Nossas Orações

segunda-feira, 21 de julho de 2025

A ORIGEM DE TUDO - O DIA 6 DA CRIAÇÃO (Parte II)

26 ¶ Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.  (Gênesis 1:26-27, ARA)

Vemos aqui o relato da criação do homem e da mulher, como um resumo. Mais adiante, no capítulo 2, teremos de forma mais detalhada a criação do homem, mostrando que, diferente dos outros seres vivos, ele foi moldado pelas mãos de Deus (Gênesis 2:7). No sexto dia, Deus criou todos os animais terrestres e também o homem e a mulher (Gênesis 1:24-31).

Diferente dos animais, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Notem que está no plural: “nossa semelhança”. E também a ordem dada por Deus é “façamos”. Isso nos mostra que Deus não estava só na criação. Já aqui vemos a atuação da Trindade desde o princípio, algo que seria revelado com mais clareza no Novo Testamento (João 1:1-3; Colossenses 1:16-17). É como se Deus dissesse ao Filho: “Vamos fazer o homem à nossa imagem e semelhança”.

Ser igual a Deus em imagem e semelhança não quer dizer aparência física, pois Deus é espírito (João 4:24), mas significa que o homem foi criado com emoções, sentimentos, vontade, inteligência, capacidade de se relacionar e exercer domínio. Amor, afeto, satisfação, alegria: tudo isso o homem recebeu de Deus. E, além disso, o texto mostra que o homem teria domínio sobre todas as criaturas.

Ou seja, assim como Deus governa sobre tudo, deu ao homem essa autoridade de dominar os seres vivos. Mas junto com esse domínio, veio também a responsabilidade. Deus criou tudo e deu ao homem, mas para que ele cuidasse. O homem foi encarregado de cuidar com amor de todas as criaturas que lhe foram entregues.

A Bíblia mostra que Deus se importa com os animais e espera que o homem também se importe. Há uma responsabilidade moral nisso:

“O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel” (Provérbios 12:10, ARA).

Esse versículo mostra que o justo trata bem os animais, enquanto o ímpio os maltrata. Isso quer dizer que o domínio que Deus deu ao homem sobre os animais não é para ser exercido com crueldade, mas com sabedoria e compaixão.

Portanto, o que Deus entregou ao homem não foi apenas o poder de governar, mas a missão de cuidar de toda a criação com amor e responsabilidade.

O PROPÓSITO DE MULTIPLICAR: UM PRINCÍPIO ESTABELECIDO POR DEUS

28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. (Gênesis 1:28, ARA)

Essa é uma das primeiras declarações de propósito dadas por Deus à humanidade. Muitos se perguntam: "Qual é o meu propósito de vida?" ou "Por que eu existo, o que devo alcançar?”, e a resposta, ao menos em parte, está desde o início da criação: Deus criou o homem com a responsabilidade de dominar a criação, cuidar do que foi feito e, especialmente, multiplicar-se.

Logicamente, esse não é o único propósito que temos nesta vida. São vários os propósitos estabelecidos por Deus para todos nós:

  • Glorificar a Deus com nossa vida e atitudes (Isaías 43:7);
  • Amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos (Marcos 12:30-31);
  • Ser semelhantes a Jesus Cristo, em caráter, atitude e obediência (Romanos 8:29);
  • Pregar o evangelho e fazer novos discípulos (Mateus 28:19-20);
  • Viver separados do pecado, em santidade e integridade diante de Deus e dos homens (1 Pedro 1:16);
  • Praticar boas obras que glorifiquem a Deus e abençoem o próximo (Efésios 2:10);
  • Buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus, confiando que Ele cuidará do restante (Mateus 6:33);
  • Ser o sal da terra e a luz do mundo, influenciando com verdade, justiça e amor (Mateus 5:13-14);
  • Servir aos outros com os dons que Deus nos deu (1 Pedro 4:10).

Entre vários outros propósitos de vida, não estamos aqui apenas de passagem, esperando a volta de Jesus. Temos objetivos bem concretos enquanto aguardamos Aquele que nos prometeu a vida eterna (João 14:3).

Mas agora, focaremos no propósito inicial que Deus nos deu: o de nos multiplicarmos.

Multiplicar-se vai além de apenas ter filhos

Quando Deus ordena “multiplicai-vos”, Ele não está apenas incentivando a reprodução, mas estabelecendo um princípio de continuidade e crescimento da raça humana. Ter apenas um filho não representa multiplicação, pois estatisticamente, com o tempo, isso levaria à extinção da espécie.

Da mesma forma, ter apenas dois filhos também não garante multiplicação, apenas mantém a população no mesmo nível, e isso considerando um cenário ideal, onde não há mortes prematuras, infertilidade ou outros fatores impeditivos. No entanto, mesmo com três filhos por casal, ainda não se pode considerar uma multiplicação expressiva, pois fatores como doenças, acidentes, infertilidade ou mortes precoces podem impedir que todos eles se reproduzam, o que estatisticamente tende apenas a manter a população estável, sem um crescimento significativo. A multiplicação real começa a partir de quatro filhos por casal: dois substituem o pai e a mãe, o terceiro representa um possível crescimento, e o quarto confirma uma tendência de multiplicação da raça.

Mas por que não funciona com apenas um filho?

Alguns podem pensar: “Mesmo com um filho, minha linhagem continuará: ele terá um filho, meu neto terá outro filho e assim por diante.” No entanto, essa lógica ignora um fator essencial: cada filho que nasce precisa de um cônjuge para se reproduzir, e esse cônjuge também vem de outro casal. Se todos os casais tiverem apenas um filho, em poucas gerações a população entra em colapso.

Veja o raciocínio:

  • Um filho precisa de outro para formar um novo casal;
  • Um neto requer a união de dois descendentes;
  • Para um bisneto nascer, são necessários ainda mais descendentes de outros casais;
  • E assim por diante, formando uma progressão descendente.

A imagem abaixo ilustra esse conceito

Na figura, mostro como a reprodução humana seria insustentável se cada casal tivesse apenas um filho. A árvore genealógica afunila a cada geração, mostrando que, com o tempo, não haveria pessoas suficientes para formar novos casais.

Diagrama

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A imagem ilustra de forma clara e objetiva o que acontece quando casais têm apenas um filho: a extinção gradual da população.

No exemplo, temos quatro casais (oito pessoas) na primeira geração. Cada casal tem apenas um filho, totalizando quatro filhos. Se esses filhos se agruparem em casais (dois casais), e cada um desses novos casais também tiver apenas um filho, a terceira geração contará com apenas duas pessoas.

Na sequência, se essas duas últimas pessoas (homem e mulher) se casarem e tiverem apenas um filho, a quarta geração terá apenas uma única pessoa. Nesse ponto, a linhagem termina, pois um indivíduo sozinho não pode formar casal nem gerar descendência.

Esse exemplo mostra que, mesmo com condições ideais, ou seja, todos os filhos sobrevivendo e formando casais com parceiros do sexo oposto, ter apenas um filho por casal leva à extinção em apenas três gerações. Isso evidencia que não há multiplicação, nem mesmo manutenção da população, mas sim um declínio acelerado.

Portanto, fica claro que a escolha por ter apenas um filho contribui diretamente para a diminuição e possível extinção da raça humana ao longo das gerações.

O PROPÓSITO DE MULTIPLICAR AINDA É VÁLIDO?

Atualmente, existem inúmeras desculpas para que casais não tenham filhos ou, quando muito, optem por ter apenas um. No entanto, podemos perceber que até nisso o inimigo tem agido, levando o ser humano a se comportar de forma contrária à vontade de Deus.

Uma das justificativas apresentadas é a de que essa “ordem” ou bênção de se multiplicar era apenas para o tempo da criação. Mas, se adotarmos essa lógica, corremos o sério risco de relativizar outras passagens bíblicas, como, por exemplo, considerar que as cartas de Paulo serviram somente para os cristãos daquela época, ou que a ordem de fazer discípulos se limitava àquele grupo de pessoas que conviveram com Jesus (Mateus 28:19-20). Isso comprometeria todo o fundamento da fé cristã, pois estaríamos decidindo, de forma subjetiva, quais mandamentos ainda valem ou não.

A verdade é que não há argumento bíblico válido que anule a ordem de multiplicar-se. Pelo contrário, há evidências bíblicas de que esse princípio continua atual, pois ele se fundamenta na criação e no propósito inicial de Deus para a humanidade (Gênesis 1:28).

Desculpas comuns para evitar filhos

Entre os argumentos mais comuns, está a questão financeira. Muitos casais temem não conseguir sustentar adequadamente uma criança ou acham que os custos de criação são altos demais. No entanto, na maioria dos casos, esse argumento esconde uma motivação egoísta: o verdadeiro medo não é passar necessidade, mas abrir mão do conforto pessoal e dos prazeres supérfluos. A dificuldade não está em sustentar um filho, mas em manter o padrão de consumo desejado, como as viagens de férias, o carro com roda estilosa, os jantares frequentes e o estilo de vida livre de grandes responsabilidades. Assim, evita-se o peso e o compromisso da paternidade ou maternidade para preservar uma liberdade pessoal baseada no prazer momentâneo.

Outro argumento recorrente é o sofrimento: há quem diga que colocar um filho neste mundo é expô-lo à dor e ao mal, como se a vida fosse apenas sofrimento. Contudo, ao agir assim, também estaríamos privando essa nova vida das alegrias, dos propósitos e, principalmente, da esperança eterna que há em Cristo Jesus.

Além disso, também é crescente a influência de ideologias modernas, como o movimento feminista contemporâneo, que contribui para a rejeição da maternidade como vocação. Ao valorizar a autonomia individual acima de tudo e ao criticar o papel tradicional da mulher como esposa e mãe, muitas mulheres passam a enxergar os filhos como um “empecilho” à realização profissional, à liberdade ou ao prazer pessoal. Essa mentalidade, aliada ao individualismo e ao hedonismo (viver só para o prazer) da sociedade atual, tem afastado muitos casais do propósito divino de frutificar e multiplicar, trocando a responsabilidade da geração de vidas pela busca de conforto, status e liberdade pessoal.

Quando pensamos apenas no sofrimento presente, esquecemos que há uma glória futura que será revelada aos filhos de Deus (Romanos 8:18), e que o plano eterno de Deus é restaurar todas as coisas, permitindo-nos viver eternamente com o Pai e com o Filho (Apocalipse 21:3-4). Ao evitarmos ter filhos com base nesses argumentos, privamos potenciais novas vidas da oportunidade de conhecerem a salvação em Cristo e, consequentemente, de desfrutarem da vida eterna. Assim, até mesmo o propósito de fazer novos discípulos se perde dentro de nossa própria casa.

Discípulos dentro do lar

Um dos propósitos mais claros na Bíblia é o de fazer novos discípulos (Mateus 28:19). Quando limitamos a quantidade de filhos ou optamos por não os ter, também estamos limitando a possibilidade de formar discípulos no seio da nossa própria família.

Logicamente, sabemos que a salvação é individual (veja esse estudo bíblico aqui), mas a influência espiritual dos pais é poderosa. Um filho criado sob a orientação da Palavra de Deus, com ensino e exemplo piedoso dos pais, dificilmente se afastará do caminho da fé. É o que a Bíblia ensina:

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios 22:6)

Portanto, ao considerarmos a multiplicação como parte do propósito divino, compreendemos que ela não se resume apenas ao crescimento populacional, mas também ao crescimento espiritual. Gerar filhos é também uma forma de gerar discípulos, influenciar eternamente outras vidas e cooperar com os planos redentores de Deus neste mundo.

Além disso, o mandamento de “fazer discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19) é uma das evidências de que o plano original da multiplicação permanece válido, e não o contrário, como alguns argumentam. A ordem de multiplicar-se dada em Gênesis não foi revogada, mas ampliada com um significado ainda mais profundo em Cristo: agora, além de multiplicar fisicamente, somos chamados a multiplicar espiritualmente, gerando filhos na fé. Portanto, limitar ou negar esse propósito, seja por medo, insegurança ou por argumentos contrários às Escrituras, é ir na direção oposta à vontade expressa de Deus desde o princípio.

29 ¶ E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento.  30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. 31 ¶ Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.” (Gênesis 1:1-31 RA)

No princípio, não havia carnivorismo. Não havia consumo de carne, nem havia a permissão de Deus para que o homem comesse animais, tampouco para que os animais devorassem uns aos outros. Esse era o plano alimentar original: tanto os seres humanos quanto os animais se alimentavam exclusivamente de vegetais. Não havia doenças, nem pragas aflitivas como moscas ou pernilongos com os propósitos prejudiciais que conhecemos hoje. Embora esses seres já existissem, sua atuação não era danosa, pois tudo cooperava para um ambiente que agradava a Deus e era livre de aflições, tudo “era muito bom”.

A permissão para o consumo de carne veio somente após o dilúvio, quando as plantas e os frutos da terra foram destruídos ou ficaram inacessíveis sob lama e água. Nesse contexto, Deus disse a Noé:

“Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora” (Gênesis 9:3, RA).  (Veja mais sobre esse tema nesse estudo)

Isso não significa que hoje somos proibidos de comer carne, a permissão ainda permanece válida. O próprio Senhor Jesus comeu peixe após a ressurreição (Lucas 24:42–43, João 21:9–13). Além disso, em outra ocasião, Jesus participou da multiplicação de peixes para alimentar a multidão (Mateus 14:17–20).

Embora o ideal original fosse um mundo sem morte, sofrimento ou carnivorismo, a realidade atual é diferente devido à queda (Gênesis 3). Contudo, isso não anula a graça e a provisão de Deus, que, mesmo em um mundo corrompido, continua a cuidar do sustento dos seres humanos.