sexta-feira, 26 de julho de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (5:40-42)

Proibidos de Falar, Mas Não de Crer: A Resistência Apostólica

40  Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram.

O açoitamento era um castigo físico severo e doloroso (Mateus 10:17), e através desse castigo, tentaram intimidar os apóstolos e os proibiram de continuar a propagar o nome de Jesus Cristo. Seguindo o conselho de Gamaliel (Atos 5:34-40), eles os soltaram, não aplicando uma punição mais severa, como a pena de morte, que foi imposta a muitos outros cristãos (Atos 7:59-60).

Este versículo destaca a resistência que os primeiros cristãos enfrentaram ao tentar propagar a mensagem de Jesus. Os apóstolos estavam dispostos a sofrer e enfrentar punições severas por causa de sua fé e missão. A ordem das autoridades para que não falassem em nome de Jesus é uma tentativa clara de suprimir a verdade do evangelho.

Porém, como podemos ler nos versículos subsequentes, os apóstolos continuaram a pregar, mostrando a profundidade de sua convicção e compromisso com a missão que Jesus lhes havia dado.

41  E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome.

Os apóstolos ficaram felizes por terem sofrido em nome de Jesus. Isso reflete uma profunda convicção e fé, mostrando que eles entendiam o sofrimento como uma honra e uma confirmação de seu compromisso com Cristo. Eles estavam dispostos a enfrentar oposição e dor, considerando isso parte da sua missão.

O "Nome" refere-se a Jesus Cristo. O uso do termo "Nome" reflete a importância e a reverência que os apóstolos tinham por Jesus. Eles reconheciam o poder e a autoridade que havia no nome de Jesus e estavam prontos para enfrentar qualquer consequência por proclamar esse nome. (Mateus 5:10-12, 1 Pedro 4:13-16)

42  E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.” (Atos 5:1-42 RA)

A punição que os apóstolos receberam não foi suficiente para fazê-los parar de pregar o evangelho. Eles continuavam com ousadia a pregar a verdade em locais públicos, como os templos, e em locais particulares, como as residências das pessoas (Atos 2:46; Atos 20:20), mostrando que o lugar não importa; o importante é alcançar cada vez mais pessoas. Apesar das ameaças e punições, eles permaneciam inabaláveis em sua tarefa de proclamar Jesus como o Messias (Romanos 1:16).

A perseverança dos apóstolos diante da oposição serve de inspiração para os cristãos de hoje. Este versículo nos lembra que seguir a Cristo pode trazer desafios e oposição, mas a fidelidade à mensagem do evangelho é de suprema importância.

ATOS DOS APÓSTOLOS (5:26-39)

O Confronto com o Sinédrio e a Coragem dos Apóstolos

26 ¶ Nisto, indo o capitão e os guardas, os trouxeram sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.

Já vimos aqui algumas referências de que o povo era simpático a essa nova igreja. O problema era a inveja desses líderes que instigavam o povo contra nosso Senhor Jesus. Se não houvesse oposição, se não houvesse quem de forma violenta trabalhasse contra o evangelho de Deus, certamente hoje já teríamos o mundo todo evangelizado (ou será que não?). O povo aceitava o que Pedro dizia; eles não apenas falavam, mas provavam através de sinais. Deus dava testemunho de que tudo o que diziam era verdade, mas temiam o que poderia acontecer com eles por causa dessas autoridades que não apoiavam esse novo ensino (Atos 5:12-14).

27  Trouxeram-nos, apresentando-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote interrogou-os, 28  dizendo: Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.

Esse era o problema deles: o nome de Jesus. Eles não estavam pregando "Deus", não estavam falando do Deus que todos conheciam e que, de certa forma, equivocadamente ou não, temiam. O Deus de Isaque, Jacó, Abraão e Moisés era conhecido de todos; era o Deus deles. Mas o problema é que estavam pregando o nome de Jesus.

Todos aceitam, até mesmo os ateus, ouvir e até falar o nome de Deus: "Ah, meu Deus", "Graças a Deus", diz um ateu que encontrou o que procurava ou que está espantado com alguma coisa. "Deus te abençoe", diz a moça do supermercado. "Deus te abençoe", dizem nossos parentes. Mas experimente dizer para essas pessoas: "Jesus esteja com você..." (Atos 4:17-18).

 29  Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.

Então, eles estavam sendo disciplinados a obedecer às autoridades religiosas, mas um anjo claramente lhes deu ordens diferentes dessas que estavam recebendo (Atos 5:19-20).

Nem sempre nossas autoridades religiosas terão razão. Se isso não fosse verdade, as mesmas autoridades religiosas que pregam o mesmo Cristo concordariam em tudo, mas não é isso que vemos. Basta ouvir líderes religiosos de diferentes denominações, ou até mesmo da mesma denominação, para perceber que podem estar transmitindo ideias diferentes. "Ah, mas podemos interpretar de várias formas a palavra de Deus". Errado. A mensagem que o autor escreve tem um objetivo; foi escrita em uma cultura, em uma determinada época e direcionada a um grupo de pessoas, ou a uma só pessoa, ou a todas as pessoas. Ela tem um propósito, e não podemos criar alegorias sobre o texto para satisfazer nossas ideias.

Se duas pessoas pensam diferente sobre determinado verso, ou uma das duas está equivocada ou as duas estão, mas nunca as duas poderão ter razão. E como podemos nos blindar de pessoas persuasivas que podem nos influenciar negativamente? Lendo e estudando a Bíblia. Assim como os bereanos, podemos medir tudo o que ela diz para saber se está de acordo com a palavra de Deus ou não (Atos 17:11).

30  O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro.

Essa é uma acusação gravíssima, e eles não poupavam nem mesmo as mais altas autoridades religiosas, responsabilizando essas mesmas autoridades pela morte de Jesus (Atos 5:28-30).

 31  Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados.

Com sua destra, ou seja, com sua máxima autoridade e poder, com a mais alta honra, Deus o fez príncipe e Salvador. Outras versões traduzem que "Deus o colocou à sua destra", mas a maioria delas fala desta forma, dando ênfase a como Deus deu importância e honra ao exaltar Jesus a príncipe e salvador do mundo (Atos 5:31).

É importante observar aqui que, se ele foi exaltado, significa que estava em uma posição inferior anteriormente, mas isso não significa que havia algo ou alguém superior a ele antes, apenas que foi exaltado de um posto que ocupava anteriormente. Difícil pensar que Cristo era de certa forma inferior ao que é agora, certo? Tudo foi criado por ele, por meio dele e para ele. Como pode alguém ser exaltado ainda mais? Como pode alguém ter ainda mais poder e glória do que isso? Lembrem que Deus é soberano a tudo isso, e por mais que Jesus tenha sido e possa ainda ser mais "promovido", jamais terá poder igual ou superior a Deus.

Lembre-se, em outras palavras, Jesus foi o instrumento usado para criar tudo, e tudo foi criado para Ele:

"pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele" (Colossenses 1:16).

E vejam como não perderam tempo e pregaram novamente sobre o arrependimento para a remissão dos pecados. Fato: temos que nos arrepender para ter o perdão. Fato: é o próprio Deus quem concede isso, para que ninguém se glorie; a glória é toda DELE (Efésios 2:8-9).

32  Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem.

Eles são testemunhas, assim como o Espírito Santo, que é dado a quem obedece (Atos 5:32). Mas o Espírito Santo não é dado aos que creem? Sim, mas crer é um mandamento, e obedecendo a esse mandamento — crer em Jesus — é que recebemos o Espírito Santo de Deus.

Lembram? Crer, se arrepender e ser batizado: essa é a ordem. Você obedece a Deus crendo. Ao crer, você se arrepende de seus pecados. Arrependido, você é convertido e não anda na mesma direção que andava antes. Arrependido, você recebe o batismo, tarefa realizada pelo Santo Espírito de Deus, que é enviado ao seu coração (Atos 2:38).

33  Eles, porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los.

Falar para essas pessoas que Cristo foi exaltado e é maior que todos os patriarcas, profetas e até mesmo Moisés não era confortável para aqueles que pregavam a lei baseada nesses homens. Eles estavam cientes de que essa nova doutrina, se prosperasse, iria tornar obsoleta a deles (Hebreus 3:3-6).

34  Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu, chamado Gamaliel, mestre da lei, acatado por todo o povo, mandou retirar os homens, por um pouco, 35  e lhes disse: Israelitas, atentai bem no que ides fazer a estes homens.

Um mestre da lei venerado, respeitado por todo o povo, se levantou e aconselhou a todos para tomarem cuidado com o julgamento que fariam dos apóstolos (Atos 5:34). Gamaliel é frequentemente lembrado por sua sabedoria e moderação. Além desse episódio, ele é também citado por Paulo, que menciona Gamaliel como seu mestre em sua formação. Todo o conhecimento que Paulo tinha da lei se deve, em grande parte, ao ensino do mestre Gamaliel (Atos 22:3). Contudo, não há registro de que Gamaliel se tornou cristão. Pode até ter acontecido, mas não há fatos bíblicos que comprovem isso. Ele continuou a ser fariseu, e um de seus discípulos, o apóstolo Paulo, movido por sua religião, perseguia, prendia e levava os cristãos à morte (Atos 8:3; Atos 9:1-2). Entendermos isso será importante para a explanação posterior logo abaixo.

36  Porque, antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. 37  Depois desse, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. 38  Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; 39  mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele.

Então, Gamaliel procurou embasar seu argumento de cautela contra esses homens relembrando o que aconteceu alguns dias atrás com um certo Teudas, que se achava alguma coisa. Ele conseguiu agregar 400 homens à sua crença, mas quando foi morto, todos os que prestavam obediência se dispersaram e não deu em nada. Ele citou ainda outro homem, um certo Judas, e quando ele também morreu, todos os que o seguiam abandonaram a sua crença (Atos 5:36-37).

Então ele argumenta: “Dai de mão a estes homens” (Atos 5:38), ou seja, uma expressão usada para dizer que não se deve preocupar com esses homens, como se fosse um deboche, crente de que aconteceria com eles o mesmo que aconteceu com os outros dois citados acima. Porém, ele conclui que, se a obra que anunciam não vem de homens, mas de Deus, a intervenção deles não seria apenas contra ideias humanas, mas estariam lutando contra o próprio Deus (Atos 5:39).

Vejo muitos mestres hoje ensinando a sermos moderados e prudentes como Gamaliel. Isso é importante, mas não devemos passar por cima de conselhos e recomendações que fazem parte da doutrina do evangelho para adotar o que Gamaliel, um fariseu, disse.

Paulo e os apóstolos foram perseguidos e mortos por divulgarem o evangelho, por serem polêmicos, por denunciarem falsos ensinos e falsos mestres (2 Coríntios 11:13-15; Gálatas 1:6-9). Não devemos ignorar todo o sacrifício que esses homens fizeram e adotar equivocadamente o conselho de Gamaliel, deixando que falsos mestres e falsos ensinos sejam introduzidos nas igrejas com o argumento de que “poderemos estar lutando contra o próprio Deus”.

Sejamos sensatos. Gamaliel foi sábio, e esse conselho foi muito útil para poupar os homens que queriam lutar contra o que os apóstolos ensinavam, impedindo-os de lutar contra o próprio Deus. Contudo, esse conselho não serve para os crentes que sabem e conhecem as Escrituras e conseguem identificar heresias e doutrinas demoníacas ensinadas por falsos profetas, falsos mestres, falsos apóstolos (2 Pedro 2:1; 1 João 4:1). Essas heresias devem ser enfrentadas e combatidas. A igreja não pode permitir um outro evangelho diferente do que foi anunciado sob muito derramamento de sangue (Gálatas 1:8-9). Quem prega o conselho de Gamaliel dessa forma, de deixar tudo e qualquer um falar o que quiser sobre o evangelho (2 Timóteo 4:3-4), na verdade está querendo se blindar de ataques do verdadeiro evangelho sobre ele mesmo.

ATOS DOS APÓSTOLOS (5:17-25)

A Inveja dos Saduceus e a Prisão dos Apóstolos

17 ¶ Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja, 18  prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública.

Seita significa um grupo menor se desligando de um grupo maior. Na época, o grupo predominante era o dos fariseus. Logo, os saduceus são considerados uma seita porque se desligaram desse grupo maior e, através de suas próprias doutrinas e convicções, criaram essa nova religião, antagônica às doutrinas do grupo maior. Destacam-se a doutrina de não acreditar na ressurreição (Mateus 22:23; Atos 23:8), em anjos, na imortalidade da alma e na predestinação de Deus, acreditando no livre-arbítrio.

Movidos pela inveja, esse grupo prendeu os apóstolos. Mas com que autoridade eles fizeram isso? Nada menos que o sumo sacerdote estava ali, tendo total influência sobre o povo e sendo responsável pelos cultos no templo. A inveja nunca foi tão mencionada na Bíblia como nessas circunstâncias envolvendo fariseus, saduceus e o Cristianismo (Atos 5:17-18).

Inveja pode ser resumida como um sentimento que faz alguém querer ter o que outra pessoa tem. Não necessariamente precisa ser algo material. Na Bíblia, os vários relatos em que aparece a inveja estão relacionados com o fato do invejoso querer ter a glória e o prestígio que o invejado tem, e não necessariamente o que ele possui. Por exemplo, José do Egito: os irmãos foram tomados de inveja, não por causa da roupa especial que José tinha, mas pelo carinho, atenção e honra que ele recebia (Gênesis 37:11). Não necessariamente queriam a roupa, mas a mesma honra que José tinha. Davi e Saul: a inveja de Saul por Davi não era pelo que ele materialmente tinha, mas pela honra que ele tinha ao declararem: "Davi matou dezenas de milhares e Saul apenas milhares" (1 Samuel 18:7). O desejo de ter intensamente o que o outro tem chama-se cobiça. Um exemplo claro desse pecado na Bíblia é o caso de Nabote e o rei Acabe. O rei queria o campo de Nabote para transformá-lo em um jardim, mas por motivos sentimentais, Nabote não vendeu o campo. O rei e sua rainha conspiraram até conseguir de forma trágica esse campo (1 Reis 21:1-16). O ciúme é outro pecado que faz alguém ficar inseguro quando perde a atenção ou consideração de alguém que gosta muito. Está mais relacionado à parte amorosa, mas não descarta acontecer com amigos ou pessoas que se considera muito.

No Novo Testamento, na circunstância da pregação do evangelho, os saduceus foram movidos pela inveja, não por algo material, até porque os apóstolos não tinham nada a mais do que eles já tinham. A inveja foi motivada por um certo ciúme, pois estavam perdendo a honra, a glória e a admiração do povo. O evangelho pregado por Pedro e os apóstolos atacava diretamente a seita dos saduceus. Eles estavam sendo contrariados publicamente pela pregação de Pedro. Tudo o que eles eram a favor, Pedro pregava contra: falava sobre o evangelho anunciado pelos anjos (Gálatas 1:8), falava sobre o inferno e as consequências após a morte para aqueles que negarem Jesus (Mateus 10:28; Marcos 9:43-48), falava sobre a soberania total de Deus sobre todos, inclusive sobre o “livre-arbítrio” (Romanos 9:18-21), e, principalmente, pregava sobre alguém que ressuscitou dos mortos, Jesus (Atos 4:2, 10; 1 Coríntios 15:12-14). Logicamente, vendo que estavam perdendo o povo para essa nova doutrina, movidos pela inveja, prenderam os dois até que pudessem ser julgados (Atos 5:17-18).

19  Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, lhes disse: 20  Ide e, apresentando-vos no templo, dizei ao povo todas as palavras desta Vida.

Notem que a palavra "Vida" está em letra maiúscula, pois o autor deu ênfase a essa palavra. Mas o que isso significa? Bem, "Vida" neste contexto se refere ao evangelho que eles vinham pregando. Esse evangelho estava transformando vidas, trazendo esperança e salvação a todos que ouviam. E essa mensagem, a mensagem desta vida abundante, desta nova vida em Cristo Jesus, não poderia cessar, não poderia deixar de ser anunciada (João 10:10; João 14:6).

21  Tendo ouvido isto, logo ao romper do dia, entraram no templo e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que com ele estavam, convocaram o Sinédrio e todo o senado dos filhos de Israel e mandaram buscá-los no cárcere.

Podemos pensar: “Quanta estupidez, isso não é fé, é estupidez. Acabaram de ser presos e no dia seguinte foram novamente ao mesmo lugar provocar aqueles que, com inveja, os prenderam.” Mas eles não estavam dispostos a obedecer a homens. A mensagem do anjo de Deus foi sem rodeios, direta, simples: voltem lá e continuem a anunciar o evangelho (Atos 5:20).

Diferentemente daqueles homens que abandonaram Jesus, eles corajosamente anunciavam o evangelho. A diferença é que agora eles tinham poder, tinham o Espírito Santo com eles. Sem o Espírito Santo, ninguém busca a Deus, nem um sequer; nem mesmo aqueles que estavam diariamente vendo os milagres de Jesus ficaram ao lado dele (Romanos 3:11).

Hoje temos a misericórdia de Deus e nos mantemos nela graças ao próprio Deus, graças ao Espírito Santo. Não se orgulhem de nada, é tudo pela misericórdia dele (Efésios 2:8-9).

22  Mas os guardas, indo, não os acharam no cárcere; e, tendo voltado, relataram, 23  dizendo: Achamos o cárcere fechado com toda a segurança e as sentinelas nos seus postos junto às portas; mas, abrindo-as, a ninguém encontramos dentro.

Pense na vergonha e no temor desses homens, do sumo sacerdote e dos saduceus, diante de muitas autoridades do povo. O Sinédrio pode ser comparado hoje ao Supremo Tribunal Federal, a autoridade máxima, com poder de julgar tanto pessoas religiosas quanto civis. O Senado dos filhos de Israel era composto por grupos de anciãos representando as tribos de Israel, todos aguardando para julgar esses homens que estavam pregando a ressurreição de um homem que se dizia ser o Messias.

Para a surpresa de todos, os guardas relataram que esses homens não estavam mais na cadeia. As portas estavam trancadas, todos os seguranças devidamente posicionados, mas a cela estava vazia (Atos 5:21-23).

 24  Quando o capitão do templo e os principais sacerdotes ouviram estas informações, ficaram perplexos a respeito deles e do que viria a ser isto.

Ficaram perplexos, cheios de incertezas. Logicamente, estavam ouvindo uma pregação diferente da que se ouvia. Estavam vendo sinais sendo realizados diante de seus olhos; por mais que não aceitassem, não podiam negar que algo muito sério estava acontecendo. Estavam saindo da zona de conforto com a pregação desse novo evangelho, sendo contrariados pela nova mensagem que Pedro anunciava (Atos 4:13-14).

25  Nesse ínterim, alguém chegou e lhes comunicou: Eis que os homens que recolhestes no cárcere, estão no templo ensinando o povo.

Isso estava acontecendo diante de todas as autoridades reunidas naquele Sinédrio. Fazia parte do plano de Deus que todas essas autoridades tomassem conhecimento do que estava acontecendo. Por isso, a importância dos apóstolos obedecerem a Deus e pregarem o evangelho como se não houvesse o amanhã. Eles não deixavam nada para depois, não perdiam tempo, anunciavam tudo, quer aceitassem ou não (Atos 4:19-20).

sexta-feira, 12 de julho de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (5:12-16)

Sinais e Prodígios: Testemunho da Ressurreição de Cristo

12 ¶ Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão.

Os sinais e prodígios realizados serviam para testemunhar ao povo que o testemunho que davam da ressurreição de Jesus Cristo era verdadeiro, era uma espécie de prova que Deus concedia ao povo, mas isso não era regra (Atos 2:22, Hebreus 2:4). Assim como o próprio Cristo falou que felizes são aqueles que acreditam sem ver (João 20:29), muitas passagens também destacam a aceitação do testemunho de Paulo e de outros apóstolos sem nem mesmo haver algum sinal ou prodígio, fruto apenas da exposição da palavra de Deus e do convencimento das pessoas perante as Escrituras que Jesus era o Cristo, o Messias prometido que tanto aguardavam (Romanos 10:17, Atos 17:2-3).

O local de reunião dos irmãos acontecia no Pórtico de Salomão. Este espaço era significativo para os judeus e tornou-se também para os cristãos, que se reuniam ali com outros seguidores de Cristo para orar, ensinar e realizar milagres (Atos 3:11, Atos 5:12).

O Pórtico de Salomão oferecia uma grande área coberta, protegida do sol e da chuva, permitindo que grandes grupos de pessoas se reunissem para ouvir os ensinamentos dos apóstolos. A presença constante dos apóstolos no Pórtico de Salomão proporcionava uma visibilidade pública significativa, ajudando a espalhar a mensagem do Evangelho para muitos que visitavam o Templo.

13  Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles; porém o povo lhes tributava grande admiração.

Todo o povo tinha conhecimento do que viera a acontecer com Ananias e Safira. O casal mentiu ao Espírito Santo, e o desfecho trágico da história causou temor a toda a população (Atos 5:1-11). Ninguém ousava se ajuntar com eles, pois a igreja primitiva demonstrava, através desse episódio, que hipocrisia e um falso comprometimento com Deus não eram aceitos ou tolerados. Somente aqueles que se envolvessem seriamente com Deus poderiam participar do grupo. Esse temor e respeito eram frutos do verdadeiro comprometimento e temor a Deus que as primeiras comunidades cristãs tinham em sua doutrina.

Apesar do medo de participar do grupo, o povo respeitava e admirava os cristãos. Este respeito vinha do fato de constatarem que o grupo era validado por Deus através de sinais e prodígios (Atos 2:43, Atos 5:12), mas também pela integridade e seriedade que os cristãos demonstravam e pregavam, não dando margem à falsidade e hipocrisia. Este respeito era uma prova do impacto positivo e transformador que a igreja estava tendo na sociedade, mesmo entre aqueles que ainda não eram membros.

A resposta dos que não ousavam se juntar à igreja demonstra a seriedade com que a vida espiritual deve ser tratada. É importante que os crentes vivam com uma reverência saudável a Deus, entendendo a santidade e a seriedade de seguir a Cristo (Filipenses 2:12, Hebreus 12:28).

14  E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor,

Mas o temor a Deus não diminuía ou afastava os verdadeiros filhos de Deus; pelo contrário, a igreja, mesmo debaixo de tamanho temor e respeito por todos, crescia em multidão. Isso vai de encontro com o que alguns pensam, de que o temor afasta os filhos de Deus. Há de se estudar qual tipo de temor estamos falando. O temor ou o medo pelo que vai acontecer no final dos tempos, esse sim é abordado e de certa forma condenado pelos apóstolos, pois quem ama a Deus, não teme as consequências, veja o verso abaixo:

"No amor não há medo; ao contrário, o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor." (1 João 4:18).

Pode-se perceber nitidamente que quem cita essa passagem para anular o temor a Deus cita de forma equivocada ou mesmo “criminosa”. Não devemos temer as consequências do grande dia, não devemos temer o que vai acontecer com os salvos em Cristo Jesus (veja o contexto da passagem acima), mas essa passagem ou qualquer outra nunca eliminou ou desfez a importância de temor, reverência e respeito ao nosso Deus e ao nosso Senhor Jesus Cristo (Atos 9:31; Atos 13:26; Efésios 5:21; 2 Coríntios 7:1 Veja também a explanação em Atos 19:17).

15  a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles. 16  Afluía também muita gente das cidades vizinhas a Jerusalém, levando doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados.

Não há dúvidas sobre o tremendo poder de Deus sendo operado através desses apóstolos. Os sinais e prodígios realizados por eles não deixavam dúvidas ao povo de que Deus estava com eles e usava desses eventos para aprovar a mensagem que traziam (Atos 2:22; Hebreus 2:4). Devemos ter em mente que todos esses sinais e milagres sobrenaturais tinham um propósito, até mesmo aqueles feitos pelo nosso Senhor Jesus Cristo: validar a sua mensagem e confirmar que o que anunciavam vinha de Deus e estava de acordo com a sua vontade (João 20:30-31; Atos 14:3).

Não tem como negar o poder que o apóstolo Pedro tinha, ou mesmo o poder que foi dado ao apóstolo Paulo, mas esses poderes capazes de realizar grandes sinais eram secundários à mensagem do evangelho. Os milagres existem por causa do evangelho, e não o contrário; não é o evangelho que existe por causa dos milagres. Muitos podem receber a cura de suas enfermidades e, mesmo assim, continuar em pecado e em dívida com Deus (Lucas 17:17-18). Todo aquele que é salvo não necessariamente precisa passar por um evento milagroso ou espetacular para provar à sociedade que aconteceu algo sobrenatural. Muitos salvos em Cristo Jesus, registrados na Bíblia, receberam a salvação por simples exposição das Escrituras Sagradas (Romanos 10:17; 1 Pedro 1:23). Em algumas cidades onde Paulo pregou o evangelho, não foi registrado o evento de sinais e prodígios acontecendo; apenas a palavra os convenceu de que Jesus é o Messias (Atos 17:2-4; Atos 18:4).

O poder que Pedro ou Paulo recebiam de Deus era um sinal de apoio à sua pregação e não um superpoder que pudesse curar a todos como quisessem, ou até mesmo a si próprios. Exemplos bíblicos mostram que alguns apóstolos e cristãos fervorosos enfrentaram enfermidades sem serem curados. Paulo, apesar dos grandes milagres realizados através dele, mencionou um "espinho na carne" que Deus não removeu (2 Coríntios 12:7-9). Timóteo, um jovem pastor, enfrentava frequentes problemas estomacais, para os quais Paulo recomendou um remédio simples, sem prometer cura milagrosa (1 Timóteo 5:23). Trófimo, um companheiro de Paulo, foi deixado doente em Mileto (2 Timóteo 4:20). Esses exemplos reforçam que os sinais e maravilhas eram confirmatórios da mensagem do evangelho e não o foco principal. A salvação, o arrependimento e a fé em Jesus Cristo eram o centro da pregação dos apóstolos, enquanto os milagres serviam apenas como confirmação divina da verdade que anunciavam.

Isso não anula nos dias atuais o poder que Deus, em nome de Jesus, possui para nos livrar de qualquer enfermidade. Podemos alcançar qualquer coisa de acordo com a vontade de Deus (1 João 5:14-15). Jesus nos ensinou a pedir tudo e qualquer coisa a Deus, e às vezes não temos algo porque não pedimos ou porque não sabemos pedir (Mateus 7:7-8; Tiago 4:2-3). Tenha fé.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (5:1-11)

A Hipocrisia de Ananias e Safira

“1 ¶ Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade,

Era comum entre os irmãos da igreja a prática da comunhão integral de suas posses, com o objetivo de dividir com todos as suas "sobras". Dessa forma, nada faltava e nada sobrava, e todos tinham o bastante para viver tranquilos. Esse é o verdadeiro e bom socialismo, o que chamam de socialismo utópico. Era muito bom, mas irreal de se por em prática. Funciona quando todos os indivíduos cooperam e trabalham em prol da coletividade, mas sempre há aquele que não quer trabalhar. Desta forma, alguém terá que fazer o que esse não faz, e ele continua a ser alimentado pelo sistema. Isso acontecia no início, tanto é verdade que Paulo advertiu categoricamente quando disse em uma passagem: "quem não quer trabalhar, também não coma" (2 Tessalonicenses 3:10). Veja mais sobre esse tema no estudo anterior (ATOS DOS APÓSTOLOS (4:32-37)).

2  mas, em acordo com sua mulher, reteve parte do preço e, levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos.

Olha a loucura: eles tinham uma propriedade, a venderam e retiveram parte do valor para si, dando outra parte aos apóstolos. Até aí, tudo certo. Mas o problema foi que alegaram que todo o valor da propriedade estava aos pés dos apóstolos (Atos 5:1-2). E por que fizeram isso? Talvez para conseguir a mesma notoriedade de José, aquele que também vendeu uma propriedade e deu todo o dinheiro aos apóstolos (Atos 4:36-37). Ou seja, buscaram através da vaidade ter a fama de serem "os caras que doaram grande valor", exibicionismo religioso, uma prática que Deus detesta:

“Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas.” (Mateus 23:5 RA)

3  Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?

Está aí novamente o coração do homem sendo enganado, mesmo sendo de propriedade do Espírito Santo. Nosso coração é de Deus; quando o Espírito Santo nos sela, deixamos de ser criaturas de Satanás e nos tornamos filhos de Deus, servos do Senhor (Efésios 1:13-14). Mas isso não nos impede de ainda sermos enganados:

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9 RA).

Satanás se apropriou do coração de Ananias (Atos 5:3), e sim, assim como na situação daquele adúltero que pecou contra seu pai, Paulo o declara salvo (1 Coríntios 5:5). Esse adúltero foi expulso do meio dos irmãos (1 Coríntios 5:2). O pecado não era tolerado; ele foi expulso de forma disciplinar, entregue seu corpo a Satanás, mas sua alma permanecia como propriedade de Cristo.

4  Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus.

Olha o que o coração de Ananias aprontou contra o seu espírito. Ele estabeleceu este plano, um plano totalmente ridículo. Tudo já era seu, mas, movido pela vaidade, foi enganado pelo seu coração, e isso lhe custou a vida (Atos 5:1-5).

Ananias e sua esposa Safira decidiram vender uma propriedade e manter parte do dinheiro para si, mas alegaram ter doado tudo aos apóstolos. Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, confrontou Ananias, perguntando por que ele havia mentido não apenas aos homens, mas a Deus (Atos 5:3-4). Isso mostra que, mesmo sendo parte da comunidade de crentes, Ananias permitiu que seu coração fosse seduzido pela vaidade e mentira.

Essa história ilustra a advertência de Jeremias:

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9 RA).

A tragédia de Ananias e Safira serve como um alerta sobre os perigos do autoengano e da hipocrisia.

Jesus também falou contra a hipocrisia e a busca de aprovação humana:

“Guardai-vos de fazer a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 6:1 RA).

Ele criticou os fariseus por realizarem suas obras para serem vistos pelos homens, dizendo:

“Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas” (Mateus 23:5 RA).

5  Ouvindo estas palavras, Ananias caiu e expirou, sobrevindo grande temor a todos os ouvintes.

Ananias foi vítima do seu próprio coração enganoso e das suas motivações impuras. Seu desejo de parecer generoso e espiritual diante dos outros foi, na verdade, um ato de hipocrisia que resultou em um julgamento divino severo. Esta história nos lembra da importância da integridade e da sinceridade diante de Deus, e de que as ações movidas por vaidade ou engano são conhecidas por Ele e têm consequências graves.

Veja também que os apóstolos, através do poder do Santo Espírito, tiraram a vida de alguém, causando temor a todos aqueles que estavam ali presenciando e ouvindo tudo isso (Atos 5:5, 11). “Ah, mas quem ama não teme”:

“16  E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. 17 ¶ Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. 18  No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. 19  Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 20  Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. 21  Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão. 5:1 ¶ Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. 2  Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos.” (1 João 4:16-5:2 RA)

O que aconteceu com Ananias não foi para exibir o poder que os apóstolos tinham, mas sim para provar a todos que de fato existia um Santo Espírito no controle de todos e para advertir sobre a seriedade de tentar enganar o Espírito Santo de Deus (Atos 5:3-4, 9). Esse evento foi desrespeitoso e desonroso para com Deus, demonstrando que ninguém deve jamais tentar provar ou enganar a Deus. A morte de Ananias e Safira serviu como um aviso solene sobre a santidade de Deus e a seriedade do pecado contra o Espírito Santo.

O temor que se abateu sobre a comunidade foi uma resposta natural à demonstração do poder divino e à conscientização da presença santa e justa de Deus entre eles. Este tipo de temor é diferente do medo referido em 1 João 4:18, que fala do medo do castigo eterno. O evento com Ananias e Safira destacou a necessidade de reverência e respeito profundo a Deus, que é santo e justo.

6  Levantando-se os moços, cobriram-lhe o corpo e, levando-o, o sepultaram.

Este ato mostra a seriedade e a rapidez com que a comunidade cristã lidou com a situação. Os jovens presentes, cumprindo suas responsabilidades, prontamente cobriram e enterraram o corpo de Ananias. Isso não só enfatiza a gravidade da sua transgressão, mas também o impacto imediato do julgamento de Deus sobre ele.

Este evento serve como um lembrete da santidade e justiça de Deus. Ele demonstra que o engano e a hipocrisia, especialmente em relação ao Espírito Santo, têm consequências severas. A ação rápida dos jovens ao enterrar Ananias também mostra a resposta comunitária à desonestidade e a importância de manter a integridade dentro da igreja.

7  Quase três horas depois, entrou a mulher de Ananias, não sabendo o que ocorrera. 8  Então, Pedro, dirigindo-se a ela, perguntou-lhe: Dize-me, vendestes por tanto aquela terra? Ela respondeu: Sim, por tanto.

Pedro não estava, de certa forma, provando a mulher, mas dando a ela a oportunidade de se arrepender e poupar sua própria vida na presença de todos. No entanto, ela nada sabia do que havia acontecido com seu marido e continuou com o plano que haviam combinado anteriormente (Atos 5:8-9).

9  Tornou-lhe Pedro: Por que entrastes em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e eles também te levarão.

Lógico que o plano deles não era tentar o Espírito Santo. Eles foram enganados; Satanás, sim, tinha esse objetivo de tentar o Espírito Santo. Eles foram enganados buscando os interesses que seu coração tinha equivocadamente. Isso não significa que sempre nosso coração estará errado. Seria fácil se assim fosse; remaríamos sempre ao contrário do que desejamos. Mas, de certa forma, é bem parecido com isso. Devemos sempre estar vigiando, sempre atentos para identificar o que procede de Deus e o que são desejos mundanos (Jeremias 17:9; Provérbios 4:23; Mateus 26:41).

10  No mesmo instante, caiu ela aos pés de Pedro e expirou. Entrando os moços, acharam-na morta e, levando-a, sepultaram-na junto do marido.

Da mesma forma que seu marido morreu, aconteceu com ela. A morte e tudo o que existe está no controle de Deus. Tudo o que Ele quiser, tudo o que Ele determinar, acontece, com ou sem a nossa cooperação. A Palavra de Deus é cheia da expressão: "Tema a Deus, e somente a Deus." Temer a Deus não é uma recomendação que foi abolida por Jesus; não é apenas um mandamento, mas um princípio que sempre existirá (Eclesiastes 12:13; Provérbios 9:10; Lucas 12:5).

11  E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos.

A passagem destaca o impacto profundo e imediato que a morte de Ananias e Safira teve sobre a comunidade cristã primitiva. Este evento serviu como um poderoso lembrete do poder e da santidade de Deus, reforçando a necessidade de honestidade e reverência em sua presença.

O grande temor que sobreveio à igreja e a todos os que ouviram sobre esses acontecimentos não foi apenas medo, mas um profundo respeito e reverência por Deus. Isso reforça o princípio bíblico de que Deus é soberano e Santo, e que Ele não tolera a hipocrisia e o engano dentro de Sua comunidade. Tal temor é descrito nas Escrituras como o princípio da sabedoria (Provérbios 9:10) e é um chamado contínuo para que os crentes vivam de maneira íntegra e piedosa, conscientes da presença de Deus em todas as áreas de suas vidas.

Este episódio também reforça que a mensagem de temor a Deus é consistente em toda a Bíblia, desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento, mostrando que o temor a Deus é essencial para a verdadeira fé e obediência (Eclesiastes 12:13; Lucas 12:5).

sexta-feira, 24 de maio de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (4:32-37)

A comunidade cristã (a igreja)

32 ¶ Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.

Eles compartilhavam todos os seus bens, não havia egoísmo entre eles, tudo era considerado comum entre todos. A sociedade perfeita funciona assim, com todos sendo de coração e alma unidos (Salmos 133:1 João 17:21).

Em uma sociedade perfeita não pode haver desabrigados ou pessoas com fome, e no início da igreja primitiva, funcionou muito bem a partilha e a comunhão entre si de seus bens, mas não foi duradouro.

Comunistas e socialistas costumam citar passagem como essa para afirmar que Deus governava dessa forma. Mas durante o crescimento da igreja, observamos muitas doutrinas que eram praticadas no início e que foram sendo extintas ou aprimoradas ao longo do tempo. Sobre a questão de compartilhar tudo entre todos, foi uma das práticas que foi aprimorada.

Infelizmente, esse tipo de governo iguala todos em um mesmo patamar: a pobreza. Mesmo entre irmãos, há aqueles que querem comer sem querer trabalhar (2 Tessalonicenses 3:10). Esse tipo de governo atrai e cria muitos preguiçosos que apenas desejam se sustentar às custas de outros, buscando apenas serem mantidos, e isso pode até funcionar inicialmente quando têm riquezas compartilhadas por outros, mas eventualmente essas riquezas se esgotam. Quando isso acontece, gera pobreza e fome para todos os envolvidos.

Essa situação ocorreu posteriormente com esse grupo de pessoas, pois, ao compartilharem tudo, passaram por um período difícil no qual precisaram ser socorridos por outras igrejas por meio de ofertas, para que os irmãos em Jerusalém pudessem superar a fome (Atos 11:29).

Isso não anula a grandeza que tinham em compartilhar tudo entre todos, mas até mesmo esse tipo de gesto deve ser feito com sabedoria e discernimento. A partilha generosa e o altruísmo são valores fundamentais, mas precisam ser equilibrados com uma gestão prudente e responsável dos recursos. A prática de compartilhar tudo entre todos na igreja primitiva era um reflexo da união e do amor fraternal que permeava a comunidade, e funcionou bem em um contexto de forte coesão social e espiritual. Contudo, com o crescimento e a expansão da igreja, surgiram novos desafios que exigiram ajustes e adaptações nas práticas comunitárias.

Ao longo do tempo, os líderes da igreja perceberam a necessidade de estabelecer diretrizes mais estruturadas para a administração dos recursos. Isso incluiu a promoção do trabalho diligente entre os membros, para evitar a dependência excessiva e incentivar a contribuição ativa de cada indivíduo para o bem comum. A advertência de Paulo em 2 Tessalonicenses 3:10, "Se alguém não quiser trabalhar, também não coma", ilustra a importância de equilibrar a generosidade com a responsabilidade pessoal.

Em resumo, a generosidade e o compartilhamento são virtudes a serem cultivadas, mas devem ser exercidas com discernimento e responsabilidade, para garantir que todos possam prosperar juntos, sem criar dependências prejudiciais ou esgotar os recursos comuns. A verdadeira sabedoria reside em encontrar o equilíbrio entre a compaixão e a prudência, promovendo uma comunidade justa e solidária, mas também resiliente e sustentável.

33  Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.

Com grande poder, ou seja, com pregações poderosas, eficazes e contundentes, davam testemunho da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo (Atos 4:33). As pregações eram sobre o evangelho, sobre Jesus, sobre o testemunho que tinham frente aos milagres que viram e sobre a revelação da salvação pela graça de Deus, não eram sobre subir em um púlpito e pregar sobre o que fizeram na semana, não eram sobre pregar suas próprias vidas, mas sim testemunhar o evangelho, e isso faziam com grande poder.

Os apóstolos proclamavam a ressurreição de Jesus com grande poder, e a graça abundante estava presente na comunidade (Atos 4:33). A pregação eficaz dos apóstolos e a graça abundante lembram outros eventos e ensinamentos bíblicos (Romanos 15:19; 2 Coríntios 12:9). A pregação poderosa e a graça são sinais da presença ativa de Deus entre Seu povo, fortalecendo-os e guiando-os.

34  Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes 35  e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.

Os crentes demonstravam extrema generosidade, vendendo suas propriedades e distribuindo os recursos conforme a necessidade. Este ato de generosidade pode ser comparado a outras práticas e ensinamentos bíblicos:

Deuteronômio 15:4: "Contudo, não haverá entre ti pobre; pois o Senhor, certamente, te abençoará na terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança, para a possuíres."

Lucas 12:33: "Vendei vossos bens e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói."

Esses versículos mostram o ideal de uma comunidade sem necessitados, uma visão que os primeiros cristãos procuraram realizar (Atos 4:34-35). Não há dúvidas de que esse tipo de comportamento é virtuoso, mas, como foi explorado nos versos 32 (Atos 4:32), esse tipo de prática foi aperfeiçoado com o tempo de modo a evitar que preguiçosos tornassem um peso para os outros e, em momentos de crise, como o citado em Atos 11:29, causassem colapso nesse tipo de comunidade.

A verdade é que não podemos nos apegar a tudo e considerar que tudo é nosso. Deus nos dá sementes também, e essas sementes servem para plantar, para semear, para ajudar. Não “coma” também as sementes; tenha o hábito de ofertar com sabedoria. Isso não ajuda a Deus, Ele não precisa de nossas ofertas, mas é um ato que simboliza que não somos apegados e nem dependentes do dinheiro. É um ato de gratificação, demonstrando gratidão a Deus ofertando e ajudando o próximo (2 Coríntios 9:10; Lucas 6:38; Provérbios 11:24-25; Malaquias 3:10).

36  José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, 37  como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos.

Barnabé é um exemplo específico de generosidade. Ele vendeu um campo e entregou todo o valor aos apóstolos, demonstrando seu compromisso com a comunidade e com Deus. Barnabé é mencionado várias vezes no Novo Testamento como um exemplo de encorajamento e apoio, além de ser também um dos pilares da igreja primitiva (Atos 11:24; Atos 13:2).

Assim como na primeira igreja, devemos buscar essa unidade em nossas congregações, promovendo um espírito de comunhão e amor. A oração e o compromisso com a causa comum do Evangelho são fundamentais (Efésios 4:3). A prática de compartilhar recursos pode ser aplicada hoje em dia também em nossas igrejas, seja através de programas de assistência social ou ajudando alguma família específica. Há várias formas de aplicar a generosidade (Atos 2:44-45).

Quando nossas pregações deixam de ser somente sobre "como podemos crescer nesta vida" e passam a ser sobre o crescimento de todos, quando deixam de ser individuais e passam a atender aos interesses coletivos, a igreja aprenderá mais sobre união. Deixará de ser egoísta, de pensar somente em si mesma, e até mesmo as ofertas crescerão. Como está escrito, "Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros" (Filipenses 2:4). "Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo" (Gálatas 6:2). "Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordante" (Lucas 6:38).

Portanto, ao promovermos um espírito de generosidade e serviço mútuo, alinhados com os ensinamentos de Cristo, poderemos experimentar um crescimento espiritual coletivo e mais profundo, refletindo verdadeiramente o amor de Deus em nossas ações diárias.

Devemos também nos esforçar para viver de forma que nosso testemunho cristão seja claro e poderoso, refletindo a graça de Deus em nossas vidas (Colossenses 4:6). Uma boa maneira de fazer isso é seguir o exemplo de Barnabé, sendo encorajadores e ajudando os necessitados, o que certamente irá inspirar outros a fazerem o mesmo (Hebreus 10:24).

quinta-feira, 16 de maio de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (4:23-31)

O Poder da Oração e da Intrepidez

23 ¶ Uma vez soltos, procuraram os irmãos e lhes contaram quantas coisas lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos.

Após Pedro e João serem soltos das mãos das autoridades religiosas, eles se juntam aos outros discípulos e compartilham todas as ameaças e pressões que enfrentaram por pregar o evangelho, certamente se lembrando do que Jesus os havia dito a respeito disso:

Mateus 5:10-12: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós."

 24  Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há;

Os discípulos reconhecem a soberania de Deus sobre todas as coisas e citaram várias passagens que mostra a autoridade e controle que Deus tinha e tem sobre toda a história do povo de Israel bem como das demais nações. Segue algumas outras passagens que demostram a soberania de Deus:

Salmo 146:6: "Que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e que guarda a verdade para sempre."

Isaías 44:24: "Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e espraiei a terra;"

25  que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?

Neste versículo, os discípulos fazem referência a um Salmo atribuído a Davi (Salmo 2:1-2), onde o autor questiona por que as nações se rebelam contra o Senhor e tramam contra o seu Ungido. Isso reflete a oposição e a resistência que o Messias enfrentaria, conforme profetizado nas Escrituras.

26  Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; 27  porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, 28  para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram;

Os discípulos reconhecem que a oposição contra Jesus não foi um evento aleatório, mas sim o cumprimento das profecias e do plano de Deus. Herodes, Pôncio Pilatos e outras autoridades, tanto do povo judeu quanto dos gentios, conspiraram contra Jesus, cumprindo assim o propósito divino estabelecido desde antes dos tempos (Atos 2:23, Isaías 53:10).

Veja também o que declararam: “para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (Atos 4:28). Tudo foi predeterminado e estipulado por Deus; o plano da salvação não foi se desdobrando e acontecendo conforme a história ia avançando. Não, tudo foi planejado, e Cristo foi aquele que cumpriu tudo, foi fiel até o fim (João 19:30). Até mesmo nossa eleição parte de Deus, e não de nós; isso entra na área de predestinação, ou seja, fomos criados e predestinados a sermos salvos por Cristo (Efésios 1:4). Entendo e aceito que há passagens que também podem indicar o contrário, que temos livre arbítrio e que dependemos de nossas escolhas para chegar até a Deus (Deuteronômio 30:19), mas não se pode negar que tanto Pedro, como Paulo e alguns outros pregavam a predestinação (Romanos 8:29-30), e mais que isso, ela é bíblica, e por mais que seja difícil de compreender, ela é real (Efésios 1:11; 2 Tessalonicenses 2:13; Romanos 9:11-13; 2 Timóteo 1:9; Atos 13:48; João 15:16; João 15:16...).

29  agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra,

Neste verso, os discípulos estão pedindo a Deus que observe as ameaças e perseguições que estavam enfrentando e que lhes dê coragem e ousadia para continuar pregando o evangelho sem medo (Atos 4:29-31). Vejam que eles não pediram para cessar as perseguições, mas pediram coragem para enfrenta-las (2 Timóteo 1:7).

Podemos concluir que pregar o evangelho não é uma tarefa fácil e confortável; pregar o verdadeiro evangelho causará desconforto ao pecado e ao mundo (Mateus 10:22). Falar somente o que as pessoas querem ouvir não é evangelho; na verdade, isso faz parte do que Paulo anunciou sobre o que aconteceria nos últimos dias em relação àqueles que procurariam mestres de si mesmos, que falassem somente aquilo que queriam ouvir (2 Timóteo 4:3-4). O evangelho requer mudança, conversão, e isso causa desconforto, causa impacto (Atos 3:19). Ninguém quer ser acusado e chamado de pecador, e que o mesmo precisa se arrepender e se converter de seus maus caminhos, mas é sobre isso a mensagem principal que os apóstolos pregavam (Atos 2:38).

30  enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.

E somente por meio de Jesus Cristo, o único nome sobre todo nome (Filipenses 2:9). Jesus foi ungido e enviado por Deus para realizar sua obra. Os discípulos reconhecem que Deus opera milagres e maravilhas através do nome de Jesus, demonstrando assim o poder e a autoridade divina.

Marcos 16:17-18: "E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão."

João 14:13-14: "E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei."

31  Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.

O tremor foi também um testemunho para eles de que Deus estava com eles, de que Deus atendeu a oração deles e o que anunciavam estava de acordo com a vontade de Deus (Atos 4:31). E após o lugar tremer, ficaram cheios do Espírito Santo e, com a oração atendida, anunciavam a mensagem de Deus com coragem.


Podemos aprender muito com essa passagem. Dentre elas, que quando enfrentamos desafios e ameaças à nossa fé, buscamos coragem através da oração, seguindo o exemplo dos discípulos que também pediram a Deus por intrepidez. Reconhecemos que Deus opera milagres através do nome de Jesus, capacitando-nos para realizar obras além da nossa capacidade humana, seja em curas físicas ou na transformação de vidas.

Ao buscar a Deus em oração e depender do Espírito Santo, experimentamos Sua presença palpável, capacitando-nos a proclamar a Palavra com ousadia e eficácia, impactando as vidas ao nosso redor. Levantamos nossas vozes a Deus em oração, buscando coragem e ousadia para proclamar o evangelho, mesmo diante de ameaças e oposição, seguindo o exemplo dos discípulos. Ao orar e agir em nome de Jesus, esperamos que Deus opere milagres e prodígios, demonstrando o poder do evangelho e a presença contínua de Cristo em nosso meio.

Assim como os discípulos reconheceram a autoridade divina sobre todas as coisas, confiamos que Deus está no controle mesmo em tempos de perseguição e adversidade. As ações contra Jesus previstas nas Escrituras fortalecem nossa fé, mostrando que Deus está no controle da história, mesmo nos momentos mais difíceis, e que a oposição faz parte do plano divino. A compreensão da soberania divina traz conforto e segurança, sabendo que, mesmo diante da oposição, Deus continua a agir conforme Seu propósito e plano estabelecido.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (4:15-22)

Pedro e João desafiam as autoridades

15 ¶ E, mandando-os sair do Sinédrio, consultavam entre si, 16  dizendo: Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar; 17  mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja. 18  Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus. 19  Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; 20  pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. 21  Depois, ameaçando-os mais ainda, os soltaram, não tendo achado como os castigar, por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera. 22  Ora, tinha mais de quarenta anos aquele em quem se operara essa cura milagrosa.

O Sinédrio, um conselho judaico importante na época (Atos 5:27), enfrenta um dilema diante dos apóstolos. Eles reconhecem que um milagre notório foi realizado pelos apóstolos (Atos 4:16), tornando-se evidente para toda a população de Jerusalém. Mas mesmo diante de um notório milagre, não enxergaram a graça de Deus (João 9:39-41), ficaram presos em suas raízes tradicionais religiosas, e com medo de divulgarem cada vez mais o nome de Jesus, proibiram e ameaçaram os apóstolos a não falarem e nem ensinarem em nome de Jesus Cristo (Atos 4:18). Percebam o desafio enorme que os primeiros cristãos tinham em divulgar o evangelho, mesmo com testemunhos de milagres notórios como esse não foi o suficiente para tirar da cegueira espiritual homens que se diziam e se comportavam como perfeitos religiosos (2 Coríntios 4:4).

Apesar das ameaças, corajosamente, Pedro e João os enfrentam e os questionam se era justo obedecê-los, dar ouvidos a homens, ou se era justo obedecer a Deus, aquele que protagonizou o milagre notório (Atos 4:19-20). E sem uma causa justa e desta vez sem o apoio popular, não acharam nada que pudessem imputá-los para castigar, e sob ameaças, soltaram Pedro e João (Atos 4:21).

Também podemos encontrar desafios ao proclamar o evangelho, não encontraremos oposição enquanto não falarmos de Jesus para as pessoas, mas quando falamos, aí sim, encontraremos resistência (2 Timóteo 3:12). Seja no trabalho, seja na escola ou em qualquer outra área de nossa vida, é importante permanecer firmes na fé, firmes na verdade que está em Cristo Jesus (Efésios 6:13), e não desanimar quando oposições aparecerem para nos ridicularizar e em casos mais graves, nos perseguir (Mateus 5:11-12):

Romanos 1:16 - "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê..."

2 Timóteo 1:7-8 - "Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio. Portanto, não se envergonhe de dar testemunho de nosso Senhor..."

Pedro e João mostraram que a obediência a Deus deve prevalecer sobre qualquer autoridade humana (Atos 5:29). Mesmo diante de ameaças, eles permaneceram fiéis ao chamado divino (Atos 4:19-20). Devemos obedecer a Deus em todas as áreas de nossa vida (Deuteronômio 13:4), mesmo que isso signifique enfrentar críticas ou perseguições por nossa fé (2 Timóteo 3:12):

Atos 5:29 - "Pedro e os outros apóstolos responderam: 'É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!'"

Mateus 10:28 - "Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno."

Mesmo diante da perseguição, Deus protegeu Pedro e João e impediu que fossem punidos (Atos 4:21). Podemos ver isso acontecer em vários outros episódios em que, apesar de estarem presos, Deus enviou anjos (Atos 12:7) ou manifestações milagrosas como terremotos para libertá-los (Atos 16:26). Deus é fiel (1 Coríntios 1:9) e vai defender aqueles que são leais a Ele (2 Crônicas 16:9). Podemos confiar na proteção de Deus enquanto vivemos nossa fé (Salmos 91:2), sabendo que Ele está conosco em todas as circunstâncias (Mateus 28:20).

Salmo 46:1 - "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na hora da angústia."

2 Tessalonicenses 3:3 - "Mas o Senhor é fiel; ele os fortalecerá e os guardará do Maligno."

Esses princípios nos incentivam a perseverar na fé (Hebreus 10:23), a obedecer a Deus acima de qualquer autoridade humana (Atos 5:29) e a confiar na Sua proteção em todas as situações (Salmos 91:2).

Podemos até pensar: “ah como pode dizer que Deus nos protege se vimos claramente Cristão sendo presos, martirizados, maltratados, perseguidos (Atos 8:1). Mas todas essas coisas também são bíblicas, fomos alertados quanto a esse tipo de perseguição (João 15:20), o evangelho não causa ordem ao mundo, pelo contrário, causa caos, causa desconforto ao pecado (Mateus 10:34-36), o inimigo vai lutar ferozmente para manter as pessoas longe da luz, longe da verdade (1 Pedro 5:8).

Versos como “o socorro bem presente na hora da angústia” (Salmos 46:1) já nos dá a dica de que haverá angústia para haver socorro, ou como aquela outra passagem que Davi diz “mil cairão ao seu lado e 10 mil à minha direita, mas eu não serei atingido” (Salmos 91:7), ele está em meio à guerra nessa situação, ou “Ele me ajuda a atravessar o vale da morte” (Salmos 23:4) significa que estará em uma situação terrível, seja de saúde, acidente, enfim, Jesus já nos disse para “termos bom ânimo, pois no mundo teremos aflições, mas Ele já venceu o mundo” (João 16:33). Deem graças o tempo todo, assim como Paulo e Silas mesmo presos fizeram, oravam e cantavam a Deus e o resgate veio (Atos 16:25-26). Nem mesmo o Filho de Deus foi poupado pelo nosso pecado, e foi morte, mas a morte dEle nos livrou da ira e da segunda morte (Romanos 5:9; Apocalipse 2:11), logo, assim como Paulo acreditava, a sua morte aqui era lucro (Filipenses 1:21), pois sabia que já tinha cumprido a sua missão como cristão (2 Timóteo 4:7) e que enfim receberia a recompensa da vida eterna que é entregue à aqueles que têm fé em Jesus (Mateus 25:46).