segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (2:5-13)

PENTECOSTES: UM EVENTO MULTICULTURAL - O IMPACTO DO DOM DAS LÍNGUAS

5 ¶ Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.

A depender do contexto, quando se refere a judeu, o autor do livro estará se referindo a moradores da Judéia. Os israelitas que voltaram do cativeiro para a província da Judéia e seus descendentes passaram a ser chamados de judeus porque a maioria deles era da tribo de Judá (Ed 4.12; Ne 1.2). No Novo Testamento, o termo também é usado para aqueles que seguiam o judaísmo e que, às vezes, atacavam a fé cristã, chegando a perseguir os cristãos.

A festa de Pentecostes era comemorada por judeus. O autor do texto menciona que em Jerusalém habitavam judeus piedosos, ou seja, homens religiosos. Esses judeus não necessariamente eram nativos, pois o texto deixa claro que havia judeus ali reunidos cuja nacionalidade materna pertencia a todas as nações debaixo da terra. Podemos até nos perguntar se ali viviam argentinos, colombianos, chilenos, norte-americanos, brasileiros, mas devemos lembrar que isso ocorreu quase 2 mil anos atrás. Nossa América viria a ser descoberta cerca de 1500 anos após o evento de Pentecostes. Não havia representantes das nacionalidades americanas naquele momento. Para o autor, o "mundo" se limitava à Europa, Ásia e África.

6  Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.

Todos os que estavam ali presentes, fossem de qualquer parte do mundo, ouviram em sua própria língua materna o que os galileus, inspirados pelo Espírito Santo, falavam. Essa informação é importante para lembrarmos durante o estudo de Atos que as línguas estranhas eram estranhas somente para aqueles que não as entendiam. Para quem conhecia outros idiomas, ouvir algum desses galileus falar significava entender o que ele dizia. Em outras palavras, para quem não conhecia o idioma egípcio, soava como uma língua estranha, mas para quem era natural de lá, conseguia entender o que diziam. Língua estranha não era uma linguagem indecifrável ou mesmo o idioma de anjos; eram idiomas humanos diversos.

 7  Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?

Quando o Espírito Santo desceu sobre as pessoas, ele não caiu sobre todos os que estavam presentes. Percebemos que os judeus que estavam lá apenas ouviam os galileus profetizarem. Lembrem-se do que os anjos disseram quando eles ainda estavam olhando para o céu, após Jesus ter sido elevado aos céus:

“e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.” (Atos 1:11 RA)

O Espírito Santo só foi derramado sobre aqueles que tinham fé em Jesus Cristo; não se manifestou sobre aqueles que não O conheciam. Isso sempre foi assim, desde o início, mesmo no Antigo Testamento, agindo apenas naqueles que eram tementes a Deus e O obedeciam. E continua sendo assim: o Espírito Santo batiza somente através da fé em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É somente a partir do momento em que a pessoa crê em Jesus que o Espírito Santo batiza. Essas pessoas, os galileus, tanto os apóstolos como as mais de 120 pessoas que andavam com eles, todos criam em Cristo, e todos estavam aguardando a promessa que o próprio Cristo lhes fez 10 dias atrás.

8  E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?

Os judeus que ali viviam e que estavam celebrando o Pentecostes pertenciam a vários outros povos; muitos dos presentes eram judeus estrangeiros, ou seja, nasceram e/ou vieram de outra nação. Sua origem é de uma outra nacionalidade, mas tornaram-se judeus. O Judaísmo é uma prática religiosa, e qualquer pessoa que deseje praticá-lo pode fazê-lo através das leis judaicas, podendo converter-se a essa fé (Êx 12:48). Qualquer ser humano, de qualquer raça, pode tornar-se judeu.

Os primeiros judeus são israelitas, e o Judaísmo tem suas raízes lá, mas isso não significa que todo israelita seja judeu; muito pelo contrário. Embora o Judaísmo seja atualmente a religião predominante, o Islamismo também é amplamente praticado, e o Cristianismo, embora em menor escala. Nos tempos de Jesus, os samaritanos competiam com os judeus; eram um povo étnico e religioso frequentemente mencionado nas escrituras como rivais ou oponentes do ensino judaico (Lucas 9:51-56). No entanto, Jesus demonstrou grande misericórdia para com eles, como evidenciado principalmente na parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-37).

 9  Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10  da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11  tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?

Como mencionado anteriormente, o continente americano foi descoberto em 1492 d.C., enquanto o continente mais recentemente descoberto, a Antártida, foi avistado por volta de 1800 d.C. Nesta lista, não estão citados os povos da Oceania, hoje conhecidos principalmente como australianos ou os habitantes das ilhas Fiji. Entretanto, há dois mil anos, viviam nessas ilhas uma variedade de povos indígenas, assim como na América. A tribo mais conhecida que habitava a Oceania dois mil anos atrás, acredito que sejam os Aborígenes australianos.

Em relação aos outros três continentes, podemos citar exemplos como Roma na Europa e o Egito na África. No continente Asiático, há várias referências, como os Partos e os Medos. Naquela época, a divisão dos continentes que conhecemos hoje era muito diferente; o que o autor chama de Ásia antigamente engloba vários outros povos que foram mencionados.

É fato que todas essas regiões possuíam idiomas distintos, o que levava os judeus a perguntarem: "Como podemos ouvi-los em nossa própria língua materna?" Cada região tinha seu próprio idioma local, então imagina como era para os judeus ouvirem mais de 120 pessoas falando ao mesmo tempo em diferentes línguas.

 12  Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? 13  Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!

Logicamente, quando alguns judeus estrangeiros ouviram um galileu falar em sua própria língua materna, ficaram espantados e perplexos, indagando o que isso significaria. O que Pedro fez, então, foi exatamente isso: explicar o que significava (Atos 2:7-12). No entanto, para os judeus nativos, o que parecia era um show de horrores; parecia-lhes que um monte de gente louca, ou mesmo bêbada, estava falando coisas sem sentido e sem coerência, principalmente sem compreensão. Podem ter certeza de que, assim como hoje existem pessoas que copiam comportamentos de outras, por exemplo, se alguém em uma determinada igreja ouve outra pessoa falar em uma língua "estranha" e é "aplaudida", a mesma pessoa também vai querer fazer o mesmo e aprender a "falar estranhamente". Foi isso que aconteceu, e os judeus começaram a fazer imitações desses sons que para eles eram estranhos, mas que para outros eram sua própria língua materna. Não à toa, Paulo, mais adiante, tenta frear essa prática que claramente estava causando confusão nas igrejas (1 Coríntios 14:23-25).

Mais adiante, Paulo repreende os irmãos que estão agindo "feito loucos" e inicia a pregação sobre o amor. Muitos homens sérios falam em línguas estranhas; é sim bíblico, mas sem um "fundamento" (1 Coríntios 14:26-33). Estão copiando um comportamento bíblico, mas um comportamento equivocado. No entanto, não devemos julgá-los, lembra? Fazemos parte de um corpo, mas temos uma missão em comum: EVANGELIZAR.

Pregar o evangelho às pessoas pode ser resumido em quatro pontos. É importante notar que esses pontos são orientativos e não são uma regra definitiva; evangelização não se limita apenas a isso. No entanto, esses pontos podem ajudar a manter foco e objetividade ao compartilhar a mensagem:

1-   Deus criou todas as coisas, tudo é puro e magnifico;

Quando Deus criou todas as coisas, tudo era perfeito e bom, todas as coisas inclusive o ser humano (Gênesis 1:31).

2-   O homem rejeita a Deus, o pecado domina tudo e contamina tudo e todos;

Quando Adão peca contra Deus, quando ele o desobedece e dá ouvidos a Satanás, o pecado começa a destruir todas as obras boas de Deus (Romanos 5:12). Por isso, o mundo está cheio de doenças, desgraças, tragédias, injustiças, depressão, tristezas, angústia e dor (Romanos 8:22). O mundo todo ficou mal, não porque Deus abandonou o homem, mas porque o homem abandonou a Deus. O homem se desligou de Deus. Somos criaturas merecedoras do castigo e da condenação (Romanos 3:23). Somos seres desprezíveis, sem glória alguma, fracos e dominados pelo pecado, escravizados por ele (Romanos 6:20).

3-   Jesus vence o pecado naquela cruz, inicia-se a restauração de tudo e todos.

Jesus acabou com o pecado naquela cruz. Ele foi crucificado junto com o pecado de todos naquela cruz, onde o pecado ficou pregado. No entanto, Jesus ressuscitou ao terceiro dia, iniciando uma nova aliança entre Deus e os homens. Jesus é o mediador que nos permite nos religarmos a Deus. Religião significa exatamente isso: religar-se a Deus. Religar é voltar a estar ligado. Adão e Eva estavam ligados a Deus no início, mas o pecado os separou de Deus. Jesus nos reconcilia com Deus através da graça, e para aqueles que estão em Cristo Jesus, não há condenação. Aqueles que permanecem na lei estão sob a maldição da lei (Romanos 8:1; Gálatas 3:10). O pecado é simplesmente a desobediência a Deus; Adão desobedeceu primeiro, e nós continuamos a desobedecer. Mas, pela misericórdia de Deus, hoje podemos escolher obedecer novamente, não através da lei, mas através de Cristo. A Bíblia afirma que Deus amou o mundo de tal maneira que entregou seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16). Podemos ser obedientes hoje e aceitar que Jesus é nosso Senhor e Salvador, reconhecendo que não é por nosso esforço, mas pela obra que Cristo já realizou por nós naquela cruz. Quando cremos que Jesus é o Senhor e Salvador de nossas almas, somos novamente reconciliados com Deus, e essa ligação é impossível de ser quebrada. Jesus é a cola que nos une. Ele é o segundo ser mais poderoso do universo e restaurará tudo perfeito como era no princípio diante de Deus (Colossenses 1:20). Este é o quarto e último ponto do que significa evangelizar.

4-   Jesus volta de forma triunfante para finalizar e entregar tudo a Deus como era no princípio.

Você se pergunta: por que Jesus fez a obra na cruz e o mundo ainda permanece mal? Jesus iniciou o processo de restauração de tudo naquela cruz. O mais importante para nós ele já fez: nos reconciliou com Deus, pagando pelos nossos pecados. Ele continuou trabalhando após sua ascensão aos céus e, pouco tempo depois, enviou-nos o seu Espírito Santo, que nos sela e nos mantém ligados a Deus perpetuamente. É Ele quem nos dirige, guia, ensina, repreende e nos concede a paz, não a paz que o mundo oferece, mas a paz com Deus (João 14:26; Efésios 1:13; João 16:33).

Salvos em Cristo Jesus, temos a certeza de que estaremos eternamente desfrutando da presença de Deus. O que nos resta é aguardar a volta de nosso Senhor e Salvador para restaurar tudo como era no princípio. Ainda estamos neste mundo mal; ainda teremos aflições, tristezas, dores; ainda nem tudo foi restaurado. Mas temos o conforto de saber que Cristo já venceu este mundo, e é apenas uma questão de tempo até que Ele retorne triunfante. Ele não voltará como servo, como veio anteriormente, para ser submisso; Ele voltará para o julgamento final (Apocalipse 22:12). Todos aqueles que o aguardam morarão com Ele na nova Jerusalém, onde definitivamente não haverá mais choro nem dor (Apocalipse 21:4).

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (2:1-4)

ATOS DOS APÓSTOLOS (2:1-4)

No capítulo anterior, Cristo da as últimas ordens e mandamentos aos apóstolos antes de subir aos céus, e ordena aos apóstolos que esperem em Jerusalém o Espírito Santo prometido. Após subir aos céus, dois anjos aparecem ao grupo e são avisados para se preocupar com a segunda vinda de Cristo, pois nada acabou, da mesma forma que Ele subiu aos céus, ele voltaria. Retornando a cidade, após orarem, escolheram um novo substituto para Judas, que abandonou a missão e ministério de apostolado.

Já no capítulo dois, o tão aguardado Espírito Santo é recebido, os batizados por ele falam em várias línguas, são admirados por alguns e ridicularizados por outros. Pedro, em processo de amadurecimento pela nova aliança, batiza várias pessoas, a igreja prospera, cresce muito em número, vários milagres são operados pelos apóstolos e as pessoas permanecem em comunhão, devoção e amor.

PENTECOSTES E O DOM DO ESPÍRITO SANTO: UMA FONTE DE PODER E RENOVAÇÃO.

“1 ¶ Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

Pentecostes já era uma data comemorada anteriormente, não foi um novo evento criado por conta do maravilhoso sinal que receberam (Espírito Santo sobre todos em forma de língua).

A palavra Pentecostes é grega e significa quinquagésimo, essa era uma festa da colheita, comemorada 50 dias após a páscoa. Vimos anteriormente no capítulo 1, verso 3 que Jesus após ressuscitado permaneceu com eles 40 dias antes da ascensão aos céus, ou seja, a promessa foi cumprida uns 10 dias após sua ascensão.

2  de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3  E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4  Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

Há alguns pontos a se observar aqui: como se manifesta o Espírito Santo ao batizar alguém? O que significa estar cheio do Espírito? Podemos nos esvaziar dele? E quais outras línguas eles falavam? A dos anjos?

1-   EM RELAÇÃO À MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO EM ALGUÉM:

Não é garantido que sempre que o Espírito Santo se manifestar, ocorrerão eventos como ventanias, como no episódio mencionado anteriormente, ou terremotos, como na prisão onde Paulo e Silas estavam. Há um processo envolvido. Inicialmente, foi necessária uma manifestação clara do Espírito Santo para demonstrar aos apóstolos e ao mundo o cumprimento da promessa feita em Joel (Atos 2:16). Em seguida, através da imposição das mãos, esse dom de ser batizado pelo Espírito Santo foi transmitido entre os apóstolos. Houve até mesmo alguém que tentou comprar esse poder (Atos 8:18-19), mas tudo isso foi parte de um processo. O resultado final continua o mesmo até hoje: o batismo pelo Espírito Santo ocorre através da pregação da fé.

“Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs as mãos sobre ele, dizendo: ‘Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que recuperes a vista e sejas cheio do Espírito Santo.’ Imediatamente, algo como escamas caiu dos olhos de Saulo, e ele recuperou a visão. Então, levantou-se e foi batizado.” (Atos 9:17-18 RA)

Aqui, podemos observar que o Espírito Santo não se manifestou através de vento, terremoto ou qualquer outra forma dramática. Foi uma manifestação mais sutil; as escamas que cobriam os olhos de Paulo foram removidas. Isso não foi simbólico; as escamas realmente caíram dos olhos de Paulo, restaurando sua visão física, e simbolizaram a remoção da venda espiritual que o impedia de ver a verdade sobre sua antiga religião, dando-lhe um novo entendimento, que continuou a se aprimorar ao longo do tempo.

“Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gálatas 3:2 RA)

Anteriormente, vimos o Espírito Santo sendo transmitido através da imposição de mãos. Agora, já em um estágio mais aprimorado, e testemunhando claramente esses acontecimentos, o Espírito Santo é transmitido através da pregação da fé. Pela fé em Jesus, as pessoas são batizadas pelo Espírito Santo.

“Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio do seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados. Enquanto Pedro ainda falava estas palavras, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra.” (Atos 10:43-44 RA)

Enquanto Pedro ainda falava se manifestou o Espírito Santo. Note a última palavra proferida por Pedro antes da manifestação do Espírito Santo, demonstrando claramente qual é o processo do batismo pelo Espírito Santo: "TODO AQUELE QUE NELE CRÊ RECEBE REMISSÃO DE PECADOS". As pessoas que estavam presentes, ao ouvirem Pedro afirmar que é pela fé em Jesus que seus pecados são perdoados, aceitaram isso de coração, sem proferir uma declaração, sem usar palavras, sem mergulhar em águas; o Espírito Santo desceu sobre todos ali, indicando que TODOS CRERAM EM CRISTO JESUS.


Percebam também que todos que OUVIRAM a palavra de Pedro creram e foram batizados. A salvação é pela pregação, e se havia alguém ali que não estava prestando atenção, comparando aos dias atuais, distraído com o celular, fazendo compras online ou conversando em redes sociais, essa pessoa não estava realmente ouvindo a palavra de Pedro e, portanto, não poderia crer nela e ser batizada através dela.

2-   AGORA, SOBRE A QUESTÃO DE FICAR CHEIO DO ESPÍRITO SANTO:

Encher-se do Espírito Santo significa dar evidência a Ele. Significa entregar o controle de nossos atos cotidianos a Deus, estar transbordando da palavra de Deus, orar constantemente, agradecer constantemente e permanecer conectado com as coisas espirituais. Podemos nos perguntar: como podemos nos encher do Espírito, ou voltar a ser cheios Dele, da mesma forma que fomos no início quando recebemos o batismo?

“18  E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, 19  falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, 20  dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,” (Efésios 5:18-20 RA)

“13  e quando em uníssono, a um tempo, tocaram as trombetas e cantaram para se fazerem ouvir, para louvarem o SENHOR e render-lhe graças; e quando levantaram eles a voz com trombetas, címbalos e outros instrumentos músicos para louvarem o SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, então, sucedeu que a casa, a saber, a Casa do SENHOR, se encheu de uma nuvem; 14  de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR encheu a Casa de Deus.” (2 Crônicas 5:13-14 RA)

 

Uma das referências acima nos diz o óbvio: estar embriagado não nos deixa cheios do Espírito. Mas a chave principal que essas referências trazem se diz respeito aos louvores em honra e glória a Deus.

Nas Escrituras, encontramos referências à importância dos cânticos e salmos em louvor a Deus, que nos permitem ser cheios do Espírito Santo. Ao cantarem e louvarem a Deus, a igreja experimentou a plenitude de Sua presença. Da mesma forma, quando louvamos a Deus, nossos corações se enchem da Sua presença. Quando as Escrituras mencionam louvores a Deus, referem-se a louvores Cristocêntricos e Teocêntricos, mas não a louvores antropocêntricos. Estes últimos, que têm o homem como centro, não estão em conformidade com o que as Escrituras ensinam (Salmo 115:1, Lucas 18:11-12). Em vez de nos enchermos do Espírito Santo de Deus, esses louvores apenas nos tornam mais egoístas, vaidosos e egocêntricos, pois representam uma forma de idolatria e uma falsa teologia que alimenta o orgulho espiritual.

Mas além de louvores, há também outras formas que nos ensinam a como ficar dominado pelo Espírito Santo de Deus:

-Orar;

-Estudar e meditar na Palavra de Deus;

-Render-se a Deus e sua vontade: estar cheio do Espírito é abrir mão do controle próprio e entregar tudo ao controle Dele, isso requer humildade, submissão e disposição para obedecer a Sua vontade;

-Cultivar relacionamentos saudáveis entre os irmãos, encorajando-os, compartilhando e testemunhando experiências de fé entre crentes.

Outra maneira de estarmos cheios do Espírito Santo é EVITAR INTRISTECE-LO:

“Não “apagueis” o Espírito.” (1 Ts 5:19 RA)

Essa palavra no original grego significa sufocar, suprimir, abafar.

“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Efésios 4:30 RA)

Uma forma de manter nosso Espírito Santo atuante e forte é não entristecê-lo, é não buscar satisfazer os desejos da nossa carne. Lembrem-se, o Espírito Santo vive em constante luta com nossa carne. Mantê-lo mais forte significa mantê-lo dominante sobre nossos desejos carnais. O inverso é proporcional: manter como prioridade em nossas vidas os desejos carnais e as rotinas diárias, em detrimento dos divinos, não faz com que Deus arranque o Espírito Santo de nós, mas faz com que a carne fique mais forte e abafe a chama ardente do Espírito Santo de Deus:

“16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. 17  Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gálatas 5:16-17 RA)

Ainda sobre a questão de ficar cheio do Espírito Santo:

“1 ¶ Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2  perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. 3  Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. 4  Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. 5  Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. 6  E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.” (Atos 19:1-6 RA)

Percebam nessa referência e nas outras possíveis referencias cruzadas que o dom do Espírito Santo recebido não deixava as pessoas iguais como eram antes; havia uma clara mudança. O que mais marcou ou mostrou as pessoas fazendo após receberem o Espírito Santo foi falar em línguas e profetizar. E podem ter certeza de que o que elas falavam em línguas eram profecias, ou seja, não pode alguém possuir o Espírito Santo e permanecer como era antes.

E sobre a questão de profecias, seria esse dom a habilidade que a pessoa teria para dar “pitaco” em tudo e para todos?

No grego antigo, a palavra “PROFETIZAR”, a depender do contexto, significa:

a) proclamar por inspirações divinas, predizer;

b) profetizar, com a idéia de prever eventos futuro que pertencem esp. ao reino de Deus;

c) proclamar, declarar, algo que pode apenas ser conhecido por revelação divina;

d) irromper sob impulso repentino em discurso ou louvor sublime dos conselhos divinos;

e) sob tal impulso, ensinar, refutar, reprovar, admoestar, confortar outros;

f) agir como um profeta, cumprir o ofício profético.

Lembra de Estevão? O que ele estava fazendo? Ele estava profetizando, de forma sublime, cativante, entusiasmado, falando para os que posteriormente o apedrejaram sobre o reino de Deus, sobre Jesus, e ainda o viu em pé ao lado de Deus (Atos 7:55-56). Isso é uma das formas de profetizar. Outra ainda que é corriqueiro nas igrejas é a segunda assinalada, onde diz que profetizar é ensinar, refutar, reprovar, admoestar, confortar, testemunhar, evangelizar, etc.. (1 Coríntios 14:3).

Vemos inúmeras passagens de Paulo ensinando, repreendendo, refutando, seja em sinédrio, em Éfeso, em Atenas, nas prisões, nas cartas (Atos 17:17; Atos 19:8-10; Atos 17:22-31; Filipenses 1:12-14). Estamos vendo agora nesse capítulo o próprio Pedro assumindo seu papel de líder e esclarecendo a todos o que significa essa manifestação única de pessoas falando em línguas estranhas (Atos 2:14-21). Isso também é profetizar, temos que tirar da cabeça essa ideia de que profetizar é apenas prever o futuro (1 Coríntios 14:3).

Acontece e muito em meio evangélico a sede por esse dom, o dom da profecia, como se quem a tivesse fosse mais espiritual que outros, mas na verdade, quase que por maioria absoluta (e isso por impressão minha) não passa de um exibicionismo religioso, vaidade: “VOU DAR PITACO EM TUDO PARA QUANDO ACERTAR DIZER 'EU DISSE!!!'” (Mateus 6:1-6). Irmãos, até relógio quebrado acerta a hora duas vezes por dia.

“Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele.” (Deuteronômio 18:22 RA)

“7  Não vedes visão de vaidade e não falais adivinhação mentirosa, quando dizeis: O SENHOR diz, sendo que eu [tal] não falei? 8  Portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Como falais vaidade e vedes a mentira, portanto, eis que eu [sou] contra vós, diz o Senhor JEOVÁ.” (Ezequiel 13:7-8 RC)

Em relação à 'futurologia', um dos dons preferidos da profecia, porque querem sim o dom da profecia apenas para prever o futuro, mas não pedem esse dom para poder evangelizar com mais autoridade (1 Coríntios 14:3). O que mais tem por aí é profetada furada, ou seja, vaidade de quem não tem respaldo de Deus sobre o que está prevendo (Jeremias 23:16). Mas vamos ver um caso exemplar de um personagem muito famoso que foi extremamente mimado, egocêntrico e vaidoso com o dom poderoso que tinha:

“Deus viu o que eles fizeram e como abandonaram os seus maus caminhos. Então mudou de idéia e não castigou a cidade como tinha dito que faria.” (Jonas 3:10 NTLH)

“1 ¶ Por causa disso, Jonas ficou com raiva e muito aborrecido. 2  Então orou assim: —Ó SENHOR Deus, eu não disse, antes de deixar a minha terra, que era isso mesmo que ias fazer? Foi por isso que fiz tudo para fugir para a Espanha! Eu sabia que és Deus que tem compaixão e misericórdia. Sabia que és sempre paciente e bondoso e que estás sempre pronto a mudar de idéia e não castigar.” (Jonas 4:1-2 NTLH)

Vamos voltar um pouco nessa história e entender o que aconteceu anteriormente:

“Jonas entrou na cidade, andou um dia inteiro e então começou a anunciar: —Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída!” (Jonas 3:4 NTLH)

A missão que Deus deu a Jonas foi: Dizer à cidade que ela seria destruída em 40 dias. Jonas foi extremamente vaidoso a ponto de fugir de Deus e da missão que Deus deu a ele de profetizar contra a cidade de Nínive.

Desde o início, ele sabia que o que faltava para aquele povo era alguém falar sobre o pecado; estavam confortáveis pecando contra Deus sem ressentimento, precisavam de alguém para alertá-los e mostrá-los o quão desalinhados estavam da vontade de Deus.

Jonas sabia isso de forma tão clara que preferiu fugir da missão dada por Deus. Ele sabia que o povo de Nínive se arrependeria de seus pecados e sabia que Deus seria misericordioso e os perdoaria depois que se arrependessem.

Mas lembram o que dizem as Escrituras sobre as profecias que não se cumprem? Jonas estava preocupado com o seu ego, com o que iriam pensar dele, não estava nem aí para a conversão dos pecados daquela cidade, mas sim com o cumprimento da palavra que ele anunciava.

Enfim, a profecia é, de fato, um dom maravilhoso, assim como vários outros (João 3:16). No entanto, raramente vemos alguém orar para receber o dom de ofertar mais, ou de ter o dom de ajudar pessoas deficientes e idosas (Mateus 25:35-40). A esmagadora maioria ora pelo dom da profecia, não pelo dom completo que envolve servir de maneira abrangente, como estudamos acima, mas apenas pela capacidade de prever o futuro, muitas vezes para satisfazer seu próprio ego e vaidade (1 Coríntios 14:1; 1 Pedro 4:10).


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:15-26)

 “A Escolha de Matias: Decisões Coletivas na Formação da igreja”

15 ¶ Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas) e disse:

Já eram cerca de 120 pessoas no grupo, certamente incluía ali a família dos 11 apóstolos, amigos próximos e mulheres que já participavam ativamente do ministério de Jesus.

Foi nesse contexto que Pedro demonstrou liderança, assumindo um papel de autoridade entre os irmãos. Entretanto, ao longo desta carta, perceberemos que a liderança era exercida de forma coletiva. Não vemos decisões sendo tomadas unilateralmente, mas sim em grupo. Principalmente, após a promessa do Espírito Santo ser cumprida, as decisões foram tomadas com a manifestação dele.

16  Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus, 

Observem como Pedro, um simples pescador, agora demonstra uma clara habilidade em citar as Escrituras antigas. Mais do que isso, ele possui domínio sobre elas, sendo capaz de compreender o que os registros bíblicos dizem. Esse entendimento não é fruto de esforço próprio; embora possamos adquirir conhecimento da Bíblia ao lê-la constantemente, o verdadeiro discernimento é concedido por uma razão específica:

"Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;" (Lucas 24:45 RA)

Jesus foi o responsável por permitir que os apóstolos compreendessem o que as Escrituras sagradas diziam e profetizavam sobre Ele mesmo. Não é à toa que os membros do conselho ficaram admirados ao ouvir Pedro e João falarem com coragem e autoridade sobre a Palavra de Deus.

17  porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.

Judas fazia parte do grupo e foi escolhido para participar nas atividades dos apóstolos. Além de desempenhar as tarefas comuns compartilhadas por todos os apóstolos, como testemunhar os milagres de Jesus e divulgar seus ensinamentos, Judas também desempenhava o papel de tesoureiro no ministério. Ele tinha a responsabilidade de cuidar das ofertas e das despesas do grupo, como mencionado em João 13:29.

18  (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; 

Temos aqui um relato de que Judas comprou um terreno com o preço da iniquidade, ou seja, pelo preço de seu pecado, certamente referindo-se às próprias moedas da traição que recebeu. Nesse mesmo terreno, ele tirou sua própria vida, lançando-se de um precipício.

No entanto, ao analisarmos o trecho registrado por Mateus, o desfecho é diferente, Judas foi se enforcar logo após devolver as moedas:

"Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se." (Mateus 27:5 RA)

Esse breve trecho não afirma que a bíblia é mentirosa como alguns gostam de fazer, mas esse pequeno trecho pode nos ensinar muito sobre como devemos estudar as Escrituras. É importante compreender que, sendo inspiradas pelo Espírito Santo, as Escrituras foram escritas por homens inseridos em diversas culturas e classes sociais. As cartas e mensagens muitas vezes eram dirigidas a pessoas ou grupos específicos.

A possível contradição entre os desfechos da história de Judas pode ser explicada pelo fato de que Judas estava afastado dos apóstolos, e o que eles registraram posteriormente em seus evangelhos era o testemunho de algumas pessoas que viram ou ouviram falar. Daí a importância dos quatro evangelhos, cada um trazendo perspectivas distintas. Mesmo havendo outros evangelhos, foram preservados os quatro que conhecemos, e, entre eles, encontramos passagens específicas que apenas um autor relata (como o caso dos ladrões na cruz), enquanto outros não mencionam. No entanto, o testemunho e a mensagem principal sobre Jesus são impecáveis, o que comprova a veracidade das informações.

No caso de Judas, é possível que ele tenha voltado e recolhido as moedas, ou que alguém tenha feito isso por ele. Ele também pode ter deixado as moedas lá e adquirido o campo com o preço da iniquidade, não apenas pela traição, mas também pelos roubos que praticou durante o ministério, como mencionado em João 12:6. É possível também que, ao se enforcar, a corda tenha se rompido, resultando no desfecho que Pedro conhecia.

Enfim, o trágico desfecho de Judas foi a morte causada por um grande remorso. Se esse remorso fosse acompanhado de arrependimento e humildade, certamente seria perdoado por Jesus. No entanto, para os apóstolos, especialmente naquele tempo em que ainda não compreendiam plenamente a graça de Deus e a necessidade da morte de Jesus Cristo, é provável que não o perdoassem.

19  e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.)

Pedro continua relatando sobre o desfecho trágico de Judas, afirmando que aquilo era conhecido por todos, a ponto de batizar aquela terra de Campo de Sangue. O que todos sabiam era do fato de terem encontrado Judas morto, com as entranhas à mostra, mas não como isso aconteceu. Quando alguém tira a própria vida, não comunica a ninguém, faz sozinho sem ninguém por perto, e assim foi com Judas. Esse é um dos motivos pelos quais existem diferentes versões sobre como ele se enforcou.

20  Porque está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua morada; e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu encargo. 

“Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.” (Salmos 69:25 RA)

Pedro cita um trecho de Salmos onde todo o contexto descreve os desejos de Davi contra seus inimigos, ou seja, Pedro e os outros apóstolos tratavam Judas como inimigo mortal:

“Os seus dias sejam poucos, e tome outro o seu encargo.” (Salmos 109:8 RA)

“Que o meu inimigo morra logo, e que outra pessoa faça o trabalho que ele fazia!” (Salmos 109:8 NTLH)

A nova versão já evidencia explicitamente tratar-se de um desejo contra inimigos. Davi também foi o autor desse salmo e expressou um desejo de vingança intensa contra seus inimigos. Isso ressalta o quão inconformados ainda estavam os apóstolos em relação a Judas. Implicitamente, revela que os apóstolos compreendiam pouco a necessidade da Cruz, indicando que, se fosse possível, teriam impedido e "salvado" Jesus da crucificação. Embora seja apenas uma especulação, o nível de revolta presente nos salmos de Davi, que eles citaram, sugere o quão amargurados estavam com Judas. Deixo aqui uma reflexão: caso Judas pedisse perdão a eles, será que o aceitariam de volta ao grupo?

21  É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós,  22  começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição.

Houve uma espécie de "filtro" para ajudar a determinar quem seria escolhido para ser o novo apóstolo no lugar de Judas: somente aquele que estivesse no grupo desde que Jesus foi batizado por João seria digno de ser chamado apóstolo.

A palavra "apóstolo" significa "mensageiro", ou seja, aquele que é enviado para anunciar e testemunhar a mensagem de Deus. Por anunciarem o evangelho, Paulo e Barnabé também foram chamados de apóstolos. O papel principal dos apóstolos, como o próprio nome indica, era testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo. Inicialmente, começaram a anunciar apenas aos judeus, mas com o tempo, à medida que amadureciam em relação à graça, perceberam que a mensagem não era exclusiva ao povo judeu, mas se estendia também aos gentios, ou seja, a todos que não são judeus.

Mas o fato principal de terem que repor o decimo segundo apostolo é por causa da promessa que o próprio Cristo deu a eles:

“Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mateus 19:28 RA)

Há uma promessa aqui de Jesus diretamente aos apóstolos, de que os 12 seriam líderes e julgariam as 12 tribos de Israel. Como vimos, outras pessoas também foram chamadas de apóstolos, mas por que elas não foram adicionadas e, em vez de 11, tornariam-se 13 ou mais? Isso ocorre porque havia um propósito específico na quantidade escolhida por Jesus:

“A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” (Apocalipse 21:14 RA)

Deus não removeria uma das tribos da história, nem daria a alguns dos apóstolos a responsabilidade sobre duas tribos. Havia, de fato, a necessidade de repor o serviço apostólico perdido com Judas. Acredito que, se Judas não tivesse tirado a própria vida, mas buscado o perdão do Senhor, sua posição estaria garantida. Seu pecado, assim como o de todos os outros apóstolos, teria sido perdoado. No entanto, em vez de buscar o arrependimento genuíno, ele se entregou à amargura e desespero. Em vez de confiar em Jesus para se livrar da terrível perseguição que sentia em seu espírito, optou por dar fim à sua vida.

Paulo também conviveu com a perseguição em seu íntimo, lembrando-se das atrocidades que cometeu contra os cristãos antes de se tornar servo de Jesus. Alguns estudiosos sugerem que o "espinho na carne" poderia ser esse sentimento horrível que o assombrava diariamente, acusando-o pelos erros passados. No entanto, ao contrário de Judas, em vez de tirar a própria vida, Paulo se empenhou ainda mais. Não buscava ganhar créditos com Deus para compensar os erros, mas sim demonstrar gratidão pelo perdão alcançado em Cristo Jesus.

Podemos questionar por que Paulo não foi considerado o décimo segundo apóstolo. Paulo prontamente abandonou a missão de evangelizar os judeus e se dedicou aos gentios, aos pagãos, a todos nós. Paulo é nossa testemunha de Jesus, nosso apóstolo. Para os judeus, havia, de fato, a necessidade de preencher a vaga deixada por Judas.

 23  Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias.

As pessoas ali reunidas, cerca de 120, não chegaram a um consenso e escolheram dois representantes, Barsabás, de sobrenome Justo, e Matias.

 24  E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido  25  para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar.  26  E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.”

Pedro, notadamente, assume a liderança em diversas discussões, desempenhando, sem dúvida, uma posição de autoridade nos grupos que integra. No entanto, nas escrituras, não encontramos Pedro tomando decisões unilaterais que reflitam seus próprios desejos em detrimento dos do grupo. Pelo contrário, as decisões são sempre tomadas de forma coletiva, envolvendo oração e a participação do Espírito Santo após a sua vinda.

Todos os apóstolos colaboravam em conjunto, cada um demonstrando diferentes níveis de submissão e impulsividade. A realidade é que todos eram colaboradores de Cristo. Apesar da existência de uma liderança, as decisões eram alcançadas por meio de reuniões, votações e até mesmo por sorteio, como evidenciado no verso anterior.

Abaixo, seguem mais referências de como eram geridas as igrejas primitivas:

 “24  “Soubemos que alguns do nosso grupo foram até aí e disseram coisas que criaram problemas para vocês. Porém não foi com a nossa autorização que eles fizeram isso. 25  Portanto, nós todos resolvemos, sem nenhum voto contra, escolher alguns homens e mandá-los a vocês. Eles vão com os nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26  que têm arriscado a sua vida a serviço do nosso Senhor Jesus Cristo. 27  Estamos enviando, então, Judas e Silas para falarem pessoalmente com vocês sobre estas coisas que estamos escrevendo. 28  Porque o Espírito Santo e nós mesmos resolvemos não pôr nenhuma carga sobre vocês, a não ser estas proibições que são, de fato, necessárias:” (Atos 15:24-28 NTLH)

“2  Aconselho que cuidem bem do rebanho que Deus lhes deu e façam isso de boa vontade, como Deus quer, e não de má vontade. Não façam o seu trabalho para ganhar dinheiro, mas com o verdadeiro desejo de servir. 3  Não procurem dominar os que foram entregues aos cuidados de vocês, mas sejam um exemplo para o rebanho.” (1 Pedro 5:2-3 NTLH)

Resumo: QUER SER O MAIOR? ENTÃO FAÇA O QUE O MENOR FARIA. Nosso VERDADEIRO PASTOR, exemplificando seus ensinamentos, lavou os pés de seus servos. Ele instruiu aqueles que almejam grandeza a serem os menores entre todos, evitando arrogância. Há inúmeros exemplos de como a soberba antecede a queda, inclusive em parábolas (Lucas 14:7-14), retratando indivíduos que assumiram posições de destaque por se considerarem importantes e que, posteriormente, foram envergonhados por aqueles que verdadeiramente detêm autoridade.

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:12-14)

“Reunião no Cenáculo: Oração Unânime e a Presença de Maria”

12 ¶ Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado.

A lei estava tão profundamente enraizada na mente e nos corações das pessoas que o próprio autor, ao referir-se a unidades de medida, mencionou o sábado. De acordo com a antiga aliança, durante o sábado, era permitido caminhar apenas uma distância de quase 1 km. Em vez de indicar que o monte Olival estava a 2000 côvados, medida utilizada naquela época, ele prontamente citou a lei que todos conheciam. Não é à toa que, até hoje, o sábado é equivocadamente venerado por grupos religiosos, a ponto de existirem igrejas batizadas com esse nome.

13 Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Cenáculo era um salão ou sala construído em cima do andar térreo de uma casa. Subiram todos e se reuniram ali. Observem como era comum o uso de nomes idênticos; parecia que, naquela época, os pais não tinham tanta criatividade para dar nomes a seus filhos (contém ironia). Contudo, ao longo desta carta, notaremos a presença de diversos e significativos personagens com nomes semelhantes, os quais são frequentemente identificados por outros meios, seja através de seus sobrenomes, apelidos ou até mesmo por um nome especial conferido por pessoas, comunidade, igreja, ou até mesmo por Jesus Cristo, como ocorreu com Simão Pedro.

 14  Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.

Estudar a formação da igreja primitiva é importante para quem busca estabelecer um ministério fundamentado nas escrituras sagradas. Podemos observar práticas que eram inicialmente adotadas pela igreja e que perduraram ao longo do tempo. Algumas práticas foram deixadas de lado à medida que a igreja amadureceu espiritualmente, evoluindo em seu processo e abandonando antigas tradições da antiga aliança. No entanto, certas práticas, como as orações em grupo, continuam sendo usadas até hoje.

O trecho acima ilustra o cenário inicial, onde as pessoas se reuniam para orar e eram unânimes em suas preces. Essa unanimidade reflete o fato de que todos compartilhavam o mesmo modo de pensar, anseios e graças. Nesse contexto, as pessoas compartilhavam tudo e estavam alinhadas em suas orações.

Este pequeno trecho também destaca a influência de Maria, a mãe de Jesus. Sem dúvida, ela foi uma grande serva de Deus, equiparável ou até superior a várias outras mulheres notáveis registradas na Bíblia. No entanto, é importante não confundi-la como igual ou superior a Jesus Cristo, pois foi Ele quem morreu e é Ele quem intercede por nós.

Atualmente, especialmente pela igreja católica, Maria é considerada virgem mesmo após o nascimento de Jesus. No entanto, a presença dos irmãos de Jesus na mesma ocasião coloca em dúvida essa virgindade posterior. Por outro lado, os textos bíblicos não indicam claramente que Maria deixou de ser virgem e teve outros filhos com José após o nascimento de Jesus.

O texto destaca que esses irmãos são mencionados como "irmãos de Jesus" e não como "outros filhos de Maria". Embora seja possível que esses irmãos se refiram à prole de José, ou até mesmos a “primos” de Jesus, não podemos afirmar com certeza. Mesmo que Maria e José tenham optado por abster-se de relações após o nascimento de Jesus, isso, para alguns, pode enfatizar sua grandeza entre as mulheres, mas nunca a coloca acima de Cristo.

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:6-11)

 “A Ascensão de Jesus e a Missão Impulsionada pelo Espírito Santo”

 6 ¶ Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?

Podemos compreender por que os judeus não aceitavam Jesus como o seu Messias prometido. De maneira equivocada, esperavam por alguém dotado de poder militar capaz de libertá-los do jugo dos romanos e restaurar a nação à sua soberania. No entanto, o Messias veio para reorganizar tudo, mas não da maneira que esperavam. De maneira até frustrante para os desinformados, o Messias acabou por morrer, algo que não deveria, em sua perspectiva, fazer parte do plano.

Ainda determinados a buscar a independência de Israel e se livrar da opressão romana, agora entusiasmados com a ressurreição de Jesus, retomaram a crença de que tudo o que antes acreditavam, antes da morte de Jesus, seria possível com o envio do Espírito Santo. Contudo, a resposta que receberam foi, de certa forma, frustrante do ponto de vista deles. No entanto, trarei uma perspectiva que supera essa visão desapontada.

 7  Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade;

Aqui, assim como em outras passagens escatológicas que abordam eventos nos últimos dias, Jesus reafirma que não lhe cabe conhecer as datas em que esses eventos ocorrerão. Ele enfatiza que essa prerrogativa é exclusiva da autoridade de Seu Pai, nosso Pai e nosso Deus.

 8  mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

Jesus revela que as datas e épocas da restauração por parte de Deus não eram importantes no momento. No entanto, Ele destaca a relevância do poder que os discípulos receberiam, o poder do Espírito Santo. Este seria crucial, pois através dele, eles se tornariam testemunhas em Jerusalém, nas cidades próximas e não se limitariam apenas a essas localidades, mas alcançariam os confins da terra. Em outras palavras, o Espírito Santo agiria através dos cristãos para disseminar a mensagem da salvação a todos os eleitos de Deus em todo o mundo.

Nos capítulos subsequentes, veremos que os apóstolos permaneceram em Jerusalém. Foi necessário um evento extraordinário para dispersá-los e, assim, cumprir a vontade de Deus de espalhar o evangelho não apenas entre os judeus, mas a todos os seres humanos.

9  Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos.

Após Jesus falar sobre o poder que seus seguidores receberiam por meio do Espírito Santo, foi elevado às alturas de maneira sobrenatural, como um espetáculo visível a todos. Uma nuvem o envolveu e, após esse acontecimento, aqueles presentes não o viram mais.

10  E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles  11  e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.

A presença de anjos será constante nesta carta. Veremos como Deus frequentemente utiliza esses servos para nos auxiliar. Nos capítulos subsequentes, teremos informações mais aprofundadas sobre esses seres celestiais, entendendo como eles agem e continuam a servir nos dias atuais.

Dois anjos, aparecendo como varões, ou seja, com uma aparência idêntica à de homens, surgiram para transmitir uma mensagem: "Por que vocês ainda estão olhando para o céu? Da mesma maneira que Jesus subiu aos céus, Ele descerá." Essa comunicação ocorreu sem a necessidade de interpretação, dirigindo-se aos galileus na linguagem galileia, que, nesse contexto, era o grego. É notável que, ao longo da história bíblica, quando anjos trazem mensagens divinas, eles se expressam na língua compreendida por seus ouvintes, sem recorrer a idiomas estrangeiros. Embora seja possível que exista uma linguagem exclusiva para os anjos, eles nunca se apresentaram dessa maneira.

Quanto à volta de Jesus da mesma forma como foi elevado, a Bíblia contém considerável conteúdo escatológico que descreve esse evento, especialmente o que o precede, sendo este um tema propício para um estudo mais detalhado.

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:1-5)

“Atos dos Apóstolos: Continuação da Obra de Jesus”

“    1 ¶ Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar 2 até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas.

O autor do Livro de Atos dos Apóstolos é o mesmo do Evangelho de Lucas, tornando-o assim uma continuação daquele evangelho escrito por Lucas. Apesar do livro se chamar "Atos dos Apóstolos", observamos que os atos descritos se concentram principalmente nos "Atos de Pedro e Paulo". É claro que todos os apóstolos colaboravam em prol do evangelho, alguns mais nos "bastidores" e outros mais em evidência. No entanto, o nome do livro que realmente caracteriza os diversos acontecimentos seria "ATOS DO ESPÍRITO SANTO", apresentado logo no capítulo 2 de Atos.

A identidade de Teófilo não é confirmada. Alguns o consideram como um indivíduo real que patrocinou a redação dos relatos, enquanto outros o veem como um símbolo, endereçando a carta a todos os interessados em buscar a Deus, uma vez que o nome Teófilo significa "amigo de Deus"

Lucas cita que Jesus antes de ser elevado as alturas deixa alguns mandamentos, vamos recordar:

“44  A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45  Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46  e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia 47  e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. 48  Vós sois testemunhas destas coisas. 49  Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. (Lucas 24:44-49 RA)

No texto, observamos uma ordem clara: permanecer em Jerusalém até que a promessa do Espírito Santo seja cumprida. Contudo, a principal instrução, o mandamento primordial dado às TESTEMUNHAS de Jesus, era que pregassem o arrependimento para o perdão de pecados a todas as nações. O evangelho é mais que isso, mas a principal característica que descreve o evangelho é proclamar as boas novas, a boa notícia: que nossos pecados foram perdoados através da morte de Jesus naquela cruz, e isso se inicia pregando o arrependimento.

 3  A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

Depois de Jesus ter sido morto na cruz, ele ressuscitou e apareceu a todos os apóstolos de forma incontestável, ou seja, não havia dúvidas que fosse Ele, não era alguém muito parecido com Ele, ou algum anjo, era Jesus, e durante quarenta dias ficou com eles ensinando muitas coisas em relação ao reino de Deus.

 4  E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.

Da mesma forma que ocorreu no final de alguns evangelhos, Lucas aqui relembra o que Jesus fez antes de ser elevado às alturas: pediu a todos que permanecessem em Jerusalém aguardando a promessa de Deus. Essa promessa referia-se ao envio do Espírito Santo, o qual era o espírito de seu próprio filho, Jesus.

5  Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.

Não seria necessário um estudo mais profundo sobre o batismo com água para compreendermos que esse tipo de batismo era meramente simbólico do que estava por vir: o batismo pelo Espírito Santo. Contudo, uma análise mais aprofundada estará disponível nos capítulos subsequentes, nos quais surgirão situações em que as pessoas ainda são batizadas pela água. Ao longo do estudo da carta dos Atos dos Apóstolos, testemunharemos uma progressão, um amadurecimento, à medida que as pessoas passam por um processo de compreensão mais profunda da verdadeira graça de Deus.

Nesse processo, muitas doutrinas e crenças antigas, especialmente as relacionadas à lei, como a circuncisão, serão deixadas para trás para dar lugar ao verdadeiro e puro evangelho, à nova aliança. Nessa nova aliança, não dependemos mais de nossos esforços para alcançar a salvação, mas dependemos exclusivamente de Jesus, mediante a fé.

Um ponto relevante é que Jesus anunciou que isso aconteceria não muitos dias após sua conversa com os apóstolos, evidenciando que em certas áreas Ele estava alinhado com Deus, conhecendo os planos de Seu Pai, mas não em tudo. Isso é destacado em algumas passagens escatológicas, nas quais Jesus aponta que Ele, como Filho de Deus, não conhece certas datas, sendo esse conhecimento exclusivo de Deus Pai (Mateus 24:36).