sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (2:1-4)

ATOS DOS APÓSTOLOS (2:1-4)

No capítulo anterior, Cristo da as últimas ordens e mandamentos aos apóstolos antes de subir aos céus, e ordena aos apóstolos que esperem em Jerusalém o Espírito Santo prometido. Após subir aos céus, dois anjos aparecem ao grupo e são avisados para se preocupar com a segunda vinda de Cristo, pois nada acabou, da mesma forma que Ele subiu aos céus, ele voltaria. Retornando a cidade, após orarem, escolheram um novo substituto para Judas, que abandonou a missão e ministério de apostolado.

Já no capítulo dois, o tão aguardado Espírito Santo é recebido, os batizados por ele falam em várias línguas, são admirados por alguns e ridicularizados por outros. Pedro, em processo de amadurecimento pela nova aliança, batiza várias pessoas, a igreja prospera, cresce muito em número, vários milagres são operados pelos apóstolos e as pessoas permanecem em comunhão, devoção e amor.

PENTECOSTES E O DOM DO ESPÍRITO SANTO: UMA FONTE DE PODER E RENOVAÇÃO.

“1 ¶ Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

Pentecostes já era uma data comemorada anteriormente, não foi um novo evento criado por conta do maravilhoso sinal que receberam (Espírito Santo sobre todos em forma de língua).

A palavra Pentecostes é grega e significa quinquagésimo, essa era uma festa da colheita, comemorada 50 dias após a páscoa. Vimos anteriormente no capítulo 1, verso 3 que Jesus após ressuscitado permaneceu com eles 40 dias antes da ascensão aos céus, ou seja, a promessa foi cumprida uns 10 dias após sua ascensão.

2  de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3  E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4  Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

Há alguns pontos a se observar aqui: como se manifesta o Espírito Santo ao batizar alguém? O que significa estar cheio do Espírito? Podemos nos esvaziar dele? E quais outras línguas eles falavam? A dos anjos?

1-   EM RELAÇÃO À MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO EM ALGUÉM:

Não é garantido que sempre que o Espírito Santo se manifestar, ocorrerão eventos como ventanias, como no episódio mencionado anteriormente, ou terremotos, como na prisão onde Paulo e Silas estavam. Há um processo envolvido. Inicialmente, foi necessária uma manifestação clara do Espírito Santo para demonstrar aos apóstolos e ao mundo o cumprimento da promessa feita em Joel (Atos 2:16). Em seguida, através da imposição das mãos, esse dom de ser batizado pelo Espírito Santo foi transmitido entre os apóstolos. Houve até mesmo alguém que tentou comprar esse poder (Atos 8:18-19), mas tudo isso foi parte de um processo. O resultado final continua o mesmo até hoje: o batismo pelo Espírito Santo ocorre através da pregação da fé.

“Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs as mãos sobre ele, dizendo: ‘Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que recuperes a vista e sejas cheio do Espírito Santo.’ Imediatamente, algo como escamas caiu dos olhos de Saulo, e ele recuperou a visão. Então, levantou-se e foi batizado.” (Atos 9:17-18 RA)

Aqui, podemos observar que o Espírito Santo não se manifestou através de vento, terremoto ou qualquer outra forma dramática. Foi uma manifestação mais sutil; as escamas que cobriam os olhos de Paulo foram removidas. Isso não foi simbólico; as escamas realmente caíram dos olhos de Paulo, restaurando sua visão física, e simbolizaram a remoção da venda espiritual que o impedia de ver a verdade sobre sua antiga religião, dando-lhe um novo entendimento, que continuou a se aprimorar ao longo do tempo.

“Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gálatas 3:2 RA)

Anteriormente, vimos o Espírito Santo sendo transmitido através da imposição de mãos. Agora, já em um estágio mais aprimorado, e testemunhando claramente esses acontecimentos, o Espírito Santo é transmitido através da pregação da fé. Pela fé em Jesus, as pessoas são batizadas pelo Espírito Santo.

“Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio do seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados. Enquanto Pedro ainda falava estas palavras, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra.” (Atos 10:43-44 RA)

Enquanto Pedro ainda falava se manifestou o Espírito Santo. Note a última palavra proferida por Pedro antes da manifestação do Espírito Santo, demonstrando claramente qual é o processo do batismo pelo Espírito Santo: "TODO AQUELE QUE NELE CRÊ RECEBE REMISSÃO DE PECADOS". As pessoas que estavam presentes, ao ouvirem Pedro afirmar que é pela fé em Jesus que seus pecados são perdoados, aceitaram isso de coração, sem proferir uma declaração, sem usar palavras, sem mergulhar em águas; o Espírito Santo desceu sobre todos ali, indicando que TODOS CRERAM EM CRISTO JESUS.


Percebam também que todos que OUVIRAM a palavra de Pedro creram e foram batizados. A salvação é pela pregação, e se havia alguém ali que não estava prestando atenção, comparando aos dias atuais, distraído com o celular, fazendo compras online ou conversando em redes sociais, essa pessoa não estava realmente ouvindo a palavra de Pedro e, portanto, não poderia crer nela e ser batizada através dela.

2-   AGORA, SOBRE A QUESTÃO DE FICAR CHEIO DO ESPÍRITO SANTO:

Encher-se do Espírito Santo significa dar evidência a Ele. Significa entregar o controle de nossos atos cotidianos a Deus, estar transbordando da palavra de Deus, orar constantemente, agradecer constantemente e permanecer conectado com as coisas espirituais. Podemos nos perguntar: como podemos nos encher do Espírito, ou voltar a ser cheios Dele, da mesma forma que fomos no início quando recebemos o batismo?

“18  E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, 19  falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, 20  dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,” (Efésios 5:18-20 RA)

“13  e quando em uníssono, a um tempo, tocaram as trombetas e cantaram para se fazerem ouvir, para louvarem o SENHOR e render-lhe graças; e quando levantaram eles a voz com trombetas, címbalos e outros instrumentos músicos para louvarem o SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, então, sucedeu que a casa, a saber, a Casa do SENHOR, se encheu de uma nuvem; 14  de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR encheu a Casa de Deus.” (2 Crônicas 5:13-14 RA)

 

Uma das referências acima nos diz o óbvio: estar embriagado não nos deixa cheios do Espírito. Mas a chave principal que essas referências trazem se diz respeito aos louvores em honra e glória a Deus.

Nas Escrituras, encontramos referências à importância dos cânticos e salmos em louvor a Deus, que nos permitem ser cheios do Espírito Santo. Ao cantarem e louvarem a Deus, a igreja experimentou a plenitude de Sua presença. Da mesma forma, quando louvamos a Deus, nossos corações se enchem da Sua presença. Quando as Escrituras mencionam louvores a Deus, referem-se a louvores Cristocêntricos e Teocêntricos, mas não a louvores antropocêntricos. Estes últimos, que têm o homem como centro, não estão em conformidade com o que as Escrituras ensinam (Salmo 115:1, Lucas 18:11-12). Em vez de nos enchermos do Espírito Santo de Deus, esses louvores apenas nos tornam mais egoístas, vaidosos e egocêntricos, pois representam uma forma de idolatria e uma falsa teologia que alimenta o orgulho espiritual.

Mas além de louvores, há também outras formas que nos ensinam a como ficar dominado pelo Espírito Santo de Deus:

-Orar;

-Estudar e meditar na Palavra de Deus;

-Render-se a Deus e sua vontade: estar cheio do Espírito é abrir mão do controle próprio e entregar tudo ao controle Dele, isso requer humildade, submissão e disposição para obedecer a Sua vontade;

-Cultivar relacionamentos saudáveis entre os irmãos, encorajando-os, compartilhando e testemunhando experiências de fé entre crentes.

Outra maneira de estarmos cheios do Espírito Santo é EVITAR INTRISTECE-LO:

“Não “apagueis” o Espírito.” (1 Ts 5:19 RA)

Essa palavra no original grego significa sufocar, suprimir, abafar.

“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Efésios 4:30 RA)

Uma forma de manter nosso Espírito Santo atuante e forte é não entristecê-lo, é não buscar satisfazer os desejos da nossa carne. Lembrem-se, o Espírito Santo vive em constante luta com nossa carne. Mantê-lo mais forte significa mantê-lo dominante sobre nossos desejos carnais. O inverso é proporcional: manter como prioridade em nossas vidas os desejos carnais e as rotinas diárias, em detrimento dos divinos, não faz com que Deus arranque o Espírito Santo de nós, mas faz com que a carne fique mais forte e abafe a chama ardente do Espírito Santo de Deus:

“16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. 17  Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gálatas 5:16-17 RA)

Ainda sobre a questão de ficar cheio do Espírito Santo:

“1 ¶ Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2  perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. 3  Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. 4  Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. 5  Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. 6  E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.” (Atos 19:1-6 RA)

Percebam nessa referência e nas outras possíveis referencias cruzadas que o dom do Espírito Santo recebido não deixava as pessoas iguais como eram antes; havia uma clara mudança. O que mais marcou ou mostrou as pessoas fazendo após receberem o Espírito Santo foi falar em línguas e profetizar. E podem ter certeza de que o que elas falavam em línguas eram profecias, ou seja, não pode alguém possuir o Espírito Santo e permanecer como era antes.

E sobre a questão de profecias, seria esse dom a habilidade que a pessoa teria para dar “pitaco” em tudo e para todos?

No grego antigo, a palavra “PROFETIZAR”, a depender do contexto, significa:

a) proclamar por inspirações divinas, predizer;

b) profetizar, com a idéia de prever eventos futuro que pertencem esp. ao reino de Deus;

c) proclamar, declarar, algo que pode apenas ser conhecido por revelação divina;

d) irromper sob impulso repentino em discurso ou louvor sublime dos conselhos divinos;

e) sob tal impulso, ensinar, refutar, reprovar, admoestar, confortar outros;

f) agir como um profeta, cumprir o ofício profético.

Lembra de Estevão? O que ele estava fazendo? Ele estava profetizando, de forma sublime, cativante, entusiasmado, falando para os que posteriormente o apedrejaram sobre o reino de Deus, sobre Jesus, e ainda o viu em pé ao lado de Deus (Atos 7:55-56). Isso é uma das formas de profetizar. Outra ainda que é corriqueiro nas igrejas é a segunda assinalada, onde diz que profetizar é ensinar, refutar, reprovar, admoestar, confortar, testemunhar, evangelizar, etc.. (1 Coríntios 14:3).

Vemos inúmeras passagens de Paulo ensinando, repreendendo, refutando, seja em sinédrio, em Éfeso, em Atenas, nas prisões, nas cartas (Atos 17:17; Atos 19:8-10; Atos 17:22-31; Filipenses 1:12-14). Estamos vendo agora nesse capítulo o próprio Pedro assumindo seu papel de líder e esclarecendo a todos o que significa essa manifestação única de pessoas falando em línguas estranhas (Atos 2:14-21). Isso também é profetizar, temos que tirar da cabeça essa ideia de que profetizar é apenas prever o futuro (1 Coríntios 14:3).

Acontece e muito em meio evangélico a sede por esse dom, o dom da profecia, como se quem a tivesse fosse mais espiritual que outros, mas na verdade, quase que por maioria absoluta (e isso por impressão minha) não passa de um exibicionismo religioso, vaidade: “VOU DAR PITACO EM TUDO PARA QUANDO ACERTAR DIZER 'EU DISSE!!!'” (Mateus 6:1-6). Irmãos, até relógio quebrado acerta a hora duas vezes por dia.

“Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele.” (Deuteronômio 18:22 RA)

“7  Não vedes visão de vaidade e não falais adivinhação mentirosa, quando dizeis: O SENHOR diz, sendo que eu [tal] não falei? 8  Portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Como falais vaidade e vedes a mentira, portanto, eis que eu [sou] contra vós, diz o Senhor JEOVÁ.” (Ezequiel 13:7-8 RC)

Em relação à 'futurologia', um dos dons preferidos da profecia, porque querem sim o dom da profecia apenas para prever o futuro, mas não pedem esse dom para poder evangelizar com mais autoridade (1 Coríntios 14:3). O que mais tem por aí é profetada furada, ou seja, vaidade de quem não tem respaldo de Deus sobre o que está prevendo (Jeremias 23:16). Mas vamos ver um caso exemplar de um personagem muito famoso que foi extremamente mimado, egocêntrico e vaidoso com o dom poderoso que tinha:

“Deus viu o que eles fizeram e como abandonaram os seus maus caminhos. Então mudou de idéia e não castigou a cidade como tinha dito que faria.” (Jonas 3:10 NTLH)

“1 ¶ Por causa disso, Jonas ficou com raiva e muito aborrecido. 2  Então orou assim: —Ó SENHOR Deus, eu não disse, antes de deixar a minha terra, que era isso mesmo que ias fazer? Foi por isso que fiz tudo para fugir para a Espanha! Eu sabia que és Deus que tem compaixão e misericórdia. Sabia que és sempre paciente e bondoso e que estás sempre pronto a mudar de idéia e não castigar.” (Jonas 4:1-2 NTLH)

Vamos voltar um pouco nessa história e entender o que aconteceu anteriormente:

“Jonas entrou na cidade, andou um dia inteiro e então começou a anunciar: —Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída!” (Jonas 3:4 NTLH)

A missão que Deus deu a Jonas foi: Dizer à cidade que ela seria destruída em 40 dias. Jonas foi extremamente vaidoso a ponto de fugir de Deus e da missão que Deus deu a ele de profetizar contra a cidade de Nínive.

Desde o início, ele sabia que o que faltava para aquele povo era alguém falar sobre o pecado; estavam confortáveis pecando contra Deus sem ressentimento, precisavam de alguém para alertá-los e mostrá-los o quão desalinhados estavam da vontade de Deus.

Jonas sabia isso de forma tão clara que preferiu fugir da missão dada por Deus. Ele sabia que o povo de Nínive se arrependeria de seus pecados e sabia que Deus seria misericordioso e os perdoaria depois que se arrependessem.

Mas lembram o que dizem as Escrituras sobre as profecias que não se cumprem? Jonas estava preocupado com o seu ego, com o que iriam pensar dele, não estava nem aí para a conversão dos pecados daquela cidade, mas sim com o cumprimento da palavra que ele anunciava.

Enfim, a profecia é, de fato, um dom maravilhoso, assim como vários outros (João 3:16). No entanto, raramente vemos alguém orar para receber o dom de ofertar mais, ou de ter o dom de ajudar pessoas deficientes e idosas (Mateus 25:35-40). A esmagadora maioria ora pelo dom da profecia, não pelo dom completo que envolve servir de maneira abrangente, como estudamos acima, mas apenas pela capacidade de prever o futuro, muitas vezes para satisfazer seu próprio ego e vaidade (1 Coríntios 14:1; 1 Pedro 4:10).


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:15-26)

 “A Escolha de Matias: Decisões Coletivas na Formação da igreja”

15 ¶ Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas) e disse:

Já eram cerca de 120 pessoas no grupo, certamente incluía ali a família dos 11 apóstolos, amigos próximos e mulheres que já participavam ativamente do ministério de Jesus.

Foi nesse contexto que Pedro demonstrou liderança, assumindo um papel de autoridade entre os irmãos. Entretanto, ao longo desta carta, perceberemos que a liderança era exercida de forma coletiva. Não vemos decisões sendo tomadas unilateralmente, mas sim em grupo. Principalmente, após a promessa do Espírito Santo ser cumprida, as decisões foram tomadas com a manifestação dele.

16  Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus, 

Observem como Pedro, um simples pescador, agora demonstra uma clara habilidade em citar as Escrituras antigas. Mais do que isso, ele possui domínio sobre elas, sendo capaz de compreender o que os registros bíblicos dizem. Esse entendimento não é fruto de esforço próprio; embora possamos adquirir conhecimento da Bíblia ao lê-la constantemente, o verdadeiro discernimento é concedido por uma razão específica:

"Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;" (Lucas 24:45 RA)

Jesus foi o responsável por permitir que os apóstolos compreendessem o que as Escrituras sagradas diziam e profetizavam sobre Ele mesmo. Não é à toa que os membros do conselho ficaram admirados ao ouvir Pedro e João falarem com coragem e autoridade sobre a Palavra de Deus.

17  porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.

Judas fazia parte do grupo e foi escolhido para participar nas atividades dos apóstolos. Além de desempenhar as tarefas comuns compartilhadas por todos os apóstolos, como testemunhar os milagres de Jesus e divulgar seus ensinamentos, Judas também desempenhava o papel de tesoureiro no ministério. Ele tinha a responsabilidade de cuidar das ofertas e das despesas do grupo, como mencionado em João 13:29.

18  (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; 

Temos aqui um relato de que Judas comprou um terreno com o preço da iniquidade, ou seja, pelo preço de seu pecado, certamente referindo-se às próprias moedas da traição que recebeu. Nesse mesmo terreno, ele tirou sua própria vida, lançando-se de um precipício.

No entanto, ao analisarmos o trecho registrado por Mateus, o desfecho é diferente, Judas foi se enforcar logo após devolver as moedas:

"Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se." (Mateus 27:5 RA)

Esse breve trecho não afirma que a bíblia é mentirosa como alguns gostam de fazer, mas esse pequeno trecho pode nos ensinar muito sobre como devemos estudar as Escrituras. É importante compreender que, sendo inspiradas pelo Espírito Santo, as Escrituras foram escritas por homens inseridos em diversas culturas e classes sociais. As cartas e mensagens muitas vezes eram dirigidas a pessoas ou grupos específicos.

A possível contradição entre os desfechos da história de Judas pode ser explicada pelo fato de que Judas estava afastado dos apóstolos, e o que eles registraram posteriormente em seus evangelhos era o testemunho de algumas pessoas que viram ou ouviram falar. Daí a importância dos quatro evangelhos, cada um trazendo perspectivas distintas. Mesmo havendo outros evangelhos, foram preservados os quatro que conhecemos, e, entre eles, encontramos passagens específicas que apenas um autor relata (como o caso dos ladrões na cruz), enquanto outros não mencionam. No entanto, o testemunho e a mensagem principal sobre Jesus são impecáveis, o que comprova a veracidade das informações.

No caso de Judas, é possível que ele tenha voltado e recolhido as moedas, ou que alguém tenha feito isso por ele. Ele também pode ter deixado as moedas lá e adquirido o campo com o preço da iniquidade, não apenas pela traição, mas também pelos roubos que praticou durante o ministério, como mencionado em João 12:6. É possível também que, ao se enforcar, a corda tenha se rompido, resultando no desfecho que Pedro conhecia.

Enfim, o trágico desfecho de Judas foi a morte causada por um grande remorso. Se esse remorso fosse acompanhado de arrependimento e humildade, certamente seria perdoado por Jesus. No entanto, para os apóstolos, especialmente naquele tempo em que ainda não compreendiam plenamente a graça de Deus e a necessidade da morte de Jesus Cristo, é provável que não o perdoassem.

19  e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.)

Pedro continua relatando sobre o desfecho trágico de Judas, afirmando que aquilo era conhecido por todos, a ponto de batizar aquela terra de Campo de Sangue. O que todos sabiam era do fato de terem encontrado Judas morto, com as entranhas à mostra, mas não como isso aconteceu. Quando alguém tira a própria vida, não comunica a ninguém, faz sozinho sem ninguém por perto, e assim foi com Judas. Esse é um dos motivos pelos quais existem diferentes versões sobre como ele se enforcou.

20  Porque está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua morada; e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu encargo. 

“Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.” (Salmos 69:25 RA)

Pedro cita um trecho de Salmos onde todo o contexto descreve os desejos de Davi contra seus inimigos, ou seja, Pedro e os outros apóstolos tratavam Judas como inimigo mortal:

“Os seus dias sejam poucos, e tome outro o seu encargo.” (Salmos 109:8 RA)

“Que o meu inimigo morra logo, e que outra pessoa faça o trabalho que ele fazia!” (Salmos 109:8 NTLH)

A nova versão já evidencia explicitamente tratar-se de um desejo contra inimigos. Davi também foi o autor desse salmo e expressou um desejo de vingança intensa contra seus inimigos. Isso ressalta o quão inconformados ainda estavam os apóstolos em relação a Judas. Implicitamente, revela que os apóstolos compreendiam pouco a necessidade da Cruz, indicando que, se fosse possível, teriam impedido e "salvado" Jesus da crucificação. Embora seja apenas uma especulação, o nível de revolta presente nos salmos de Davi, que eles citaram, sugere o quão amargurados estavam com Judas. Deixo aqui uma reflexão: caso Judas pedisse perdão a eles, será que o aceitariam de volta ao grupo?

21  É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós,  22  começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição.

Houve uma espécie de "filtro" para ajudar a determinar quem seria escolhido para ser o novo apóstolo no lugar de Judas: somente aquele que estivesse no grupo desde que Jesus foi batizado por João seria digno de ser chamado apóstolo.

A palavra "apóstolo" significa "mensageiro", ou seja, aquele que é enviado para anunciar e testemunhar a mensagem de Deus. Por anunciarem o evangelho, Paulo e Barnabé também foram chamados de apóstolos. O papel principal dos apóstolos, como o próprio nome indica, era testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo. Inicialmente, começaram a anunciar apenas aos judeus, mas com o tempo, à medida que amadureciam em relação à graça, perceberam que a mensagem não era exclusiva ao povo judeu, mas se estendia também aos gentios, ou seja, a todos que não são judeus.

Mas o fato principal de terem que repor o decimo segundo apostolo é por causa da promessa que o próprio Cristo deu a eles:

“Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mateus 19:28 RA)

Há uma promessa aqui de Jesus diretamente aos apóstolos, de que os 12 seriam líderes e julgariam as 12 tribos de Israel. Como vimos, outras pessoas também foram chamadas de apóstolos, mas por que elas não foram adicionadas e, em vez de 11, tornariam-se 13 ou mais? Isso ocorre porque havia um propósito específico na quantidade escolhida por Jesus:

“A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” (Apocalipse 21:14 RA)

Deus não removeria uma das tribos da história, nem daria a alguns dos apóstolos a responsabilidade sobre duas tribos. Havia, de fato, a necessidade de repor o serviço apostólico perdido com Judas. Acredito que, se Judas não tivesse tirado a própria vida, mas buscado o perdão do Senhor, sua posição estaria garantida. Seu pecado, assim como o de todos os outros apóstolos, teria sido perdoado. No entanto, em vez de buscar o arrependimento genuíno, ele se entregou à amargura e desespero. Em vez de confiar em Jesus para se livrar da terrível perseguição que sentia em seu espírito, optou por dar fim à sua vida.

Paulo também conviveu com a perseguição em seu íntimo, lembrando-se das atrocidades que cometeu contra os cristãos antes de se tornar servo de Jesus. Alguns estudiosos sugerem que o "espinho na carne" poderia ser esse sentimento horrível que o assombrava diariamente, acusando-o pelos erros passados. No entanto, ao contrário de Judas, em vez de tirar a própria vida, Paulo se empenhou ainda mais. Não buscava ganhar créditos com Deus para compensar os erros, mas sim demonstrar gratidão pelo perdão alcançado em Cristo Jesus.

Podemos questionar por que Paulo não foi considerado o décimo segundo apóstolo. Paulo prontamente abandonou a missão de evangelizar os judeus e se dedicou aos gentios, aos pagãos, a todos nós. Paulo é nossa testemunha de Jesus, nosso apóstolo. Para os judeus, havia, de fato, a necessidade de preencher a vaga deixada por Judas.

 23  Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias.

As pessoas ali reunidas, cerca de 120, não chegaram a um consenso e escolheram dois representantes, Barsabás, de sobrenome Justo, e Matias.

 24  E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido  25  para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar.  26  E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.”

Pedro, notadamente, assume a liderança em diversas discussões, desempenhando, sem dúvida, uma posição de autoridade nos grupos que integra. No entanto, nas escrituras, não encontramos Pedro tomando decisões unilaterais que reflitam seus próprios desejos em detrimento dos do grupo. Pelo contrário, as decisões são sempre tomadas de forma coletiva, envolvendo oração e a participação do Espírito Santo após a sua vinda.

Todos os apóstolos colaboravam em conjunto, cada um demonstrando diferentes níveis de submissão e impulsividade. A realidade é que todos eram colaboradores de Cristo. Apesar da existência de uma liderança, as decisões eram alcançadas por meio de reuniões, votações e até mesmo por sorteio, como evidenciado no verso anterior.

Abaixo, seguem mais referências de como eram geridas as igrejas primitivas:

 “24  “Soubemos que alguns do nosso grupo foram até aí e disseram coisas que criaram problemas para vocês. Porém não foi com a nossa autorização que eles fizeram isso. 25  Portanto, nós todos resolvemos, sem nenhum voto contra, escolher alguns homens e mandá-los a vocês. Eles vão com os nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26  que têm arriscado a sua vida a serviço do nosso Senhor Jesus Cristo. 27  Estamos enviando, então, Judas e Silas para falarem pessoalmente com vocês sobre estas coisas que estamos escrevendo. 28  Porque o Espírito Santo e nós mesmos resolvemos não pôr nenhuma carga sobre vocês, a não ser estas proibições que são, de fato, necessárias:” (Atos 15:24-28 NTLH)

“2  Aconselho que cuidem bem do rebanho que Deus lhes deu e façam isso de boa vontade, como Deus quer, e não de má vontade. Não façam o seu trabalho para ganhar dinheiro, mas com o verdadeiro desejo de servir. 3  Não procurem dominar os que foram entregues aos cuidados de vocês, mas sejam um exemplo para o rebanho.” (1 Pedro 5:2-3 NTLH)

Resumo: QUER SER O MAIOR? ENTÃO FAÇA O QUE O MENOR FARIA. Nosso VERDADEIRO PASTOR, exemplificando seus ensinamentos, lavou os pés de seus servos. Ele instruiu aqueles que almejam grandeza a serem os menores entre todos, evitando arrogância. Há inúmeros exemplos de como a soberba antecede a queda, inclusive em parábolas (Lucas 14:7-14), retratando indivíduos que assumiram posições de destaque por se considerarem importantes e que, posteriormente, foram envergonhados por aqueles que verdadeiramente detêm autoridade.

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:12-14)

“Reunião no Cenáculo: Oração Unânime e a Presença de Maria”

12 ¶ Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado.

A lei estava tão profundamente enraizada na mente e nos corações das pessoas que o próprio autor, ao referir-se a unidades de medida, mencionou o sábado. De acordo com a antiga aliança, durante o sábado, era permitido caminhar apenas uma distância de quase 1 km. Em vez de indicar que o monte Olival estava a 2000 côvados, medida utilizada naquela época, ele prontamente citou a lei que todos conheciam. Não é à toa que, até hoje, o sábado é equivocadamente venerado por grupos religiosos, a ponto de existirem igrejas batizadas com esse nome.

13 Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Cenáculo era um salão ou sala construído em cima do andar térreo de uma casa. Subiram todos e se reuniram ali. Observem como era comum o uso de nomes idênticos; parecia que, naquela época, os pais não tinham tanta criatividade para dar nomes a seus filhos (contém ironia). Contudo, ao longo desta carta, notaremos a presença de diversos e significativos personagens com nomes semelhantes, os quais são frequentemente identificados por outros meios, seja através de seus sobrenomes, apelidos ou até mesmo por um nome especial conferido por pessoas, comunidade, igreja, ou até mesmo por Jesus Cristo, como ocorreu com Simão Pedro.

 14  Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.

Estudar a formação da igreja primitiva é importante para quem busca estabelecer um ministério fundamentado nas escrituras sagradas. Podemos observar práticas que eram inicialmente adotadas pela igreja e que perduraram ao longo do tempo. Algumas práticas foram deixadas de lado à medida que a igreja amadureceu espiritualmente, evoluindo em seu processo e abandonando antigas tradições da antiga aliança. No entanto, certas práticas, como as orações em grupo, continuam sendo usadas até hoje.

O trecho acima ilustra o cenário inicial, onde as pessoas se reuniam para orar e eram unânimes em suas preces. Essa unanimidade reflete o fato de que todos compartilhavam o mesmo modo de pensar, anseios e graças. Nesse contexto, as pessoas compartilhavam tudo e estavam alinhadas em suas orações.

Este pequeno trecho também destaca a influência de Maria, a mãe de Jesus. Sem dúvida, ela foi uma grande serva de Deus, equiparável ou até superior a várias outras mulheres notáveis registradas na Bíblia. No entanto, é importante não confundi-la como igual ou superior a Jesus Cristo, pois foi Ele quem morreu e é Ele quem intercede por nós.

Atualmente, especialmente pela igreja católica, Maria é considerada virgem mesmo após o nascimento de Jesus. No entanto, a presença dos irmãos de Jesus na mesma ocasião coloca em dúvida essa virgindade posterior. Por outro lado, os textos bíblicos não indicam claramente que Maria deixou de ser virgem e teve outros filhos com José após o nascimento de Jesus.

O texto destaca que esses irmãos são mencionados como "irmãos de Jesus" e não como "outros filhos de Maria". Embora seja possível que esses irmãos se refiram à prole de José, ou até mesmos a “primos” de Jesus, não podemos afirmar com certeza. Mesmo que Maria e José tenham optado por abster-se de relações após o nascimento de Jesus, isso, para alguns, pode enfatizar sua grandeza entre as mulheres, mas nunca a coloca acima de Cristo.

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:6-11)

 “A Ascensão de Jesus e a Missão Impulsionada pelo Espírito Santo”

 6 ¶ Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?

Podemos compreender por que os judeus não aceitavam Jesus como o seu Messias prometido. De maneira equivocada, esperavam por alguém dotado de poder militar capaz de libertá-los do jugo dos romanos e restaurar a nação à sua soberania. No entanto, o Messias veio para reorganizar tudo, mas não da maneira que esperavam. De maneira até frustrante para os desinformados, o Messias acabou por morrer, algo que não deveria, em sua perspectiva, fazer parte do plano.

Ainda determinados a buscar a independência de Israel e se livrar da opressão romana, agora entusiasmados com a ressurreição de Jesus, retomaram a crença de que tudo o que antes acreditavam, antes da morte de Jesus, seria possível com o envio do Espírito Santo. Contudo, a resposta que receberam foi, de certa forma, frustrante do ponto de vista deles. No entanto, trarei uma perspectiva que supera essa visão desapontada.

 7  Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade;

Aqui, assim como em outras passagens escatológicas que abordam eventos nos últimos dias, Jesus reafirma que não lhe cabe conhecer as datas em que esses eventos ocorrerão. Ele enfatiza que essa prerrogativa é exclusiva da autoridade de Seu Pai, nosso Pai e nosso Deus.

 8  mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

Jesus revela que as datas e épocas da restauração por parte de Deus não eram importantes no momento. No entanto, Ele destaca a relevância do poder que os discípulos receberiam, o poder do Espírito Santo. Este seria crucial, pois através dele, eles se tornariam testemunhas em Jerusalém, nas cidades próximas e não se limitariam apenas a essas localidades, mas alcançariam os confins da terra. Em outras palavras, o Espírito Santo agiria através dos cristãos para disseminar a mensagem da salvação a todos os eleitos de Deus em todo o mundo.

Nos capítulos subsequentes, veremos que os apóstolos permaneceram em Jerusalém. Foi necessário um evento extraordinário para dispersá-los e, assim, cumprir a vontade de Deus de espalhar o evangelho não apenas entre os judeus, mas a todos os seres humanos.

9  Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos.

Após Jesus falar sobre o poder que seus seguidores receberiam por meio do Espírito Santo, foi elevado às alturas de maneira sobrenatural, como um espetáculo visível a todos. Uma nuvem o envolveu e, após esse acontecimento, aqueles presentes não o viram mais.

10  E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles  11  e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.

A presença de anjos será constante nesta carta. Veremos como Deus frequentemente utiliza esses servos para nos auxiliar. Nos capítulos subsequentes, teremos informações mais aprofundadas sobre esses seres celestiais, entendendo como eles agem e continuam a servir nos dias atuais.

Dois anjos, aparecendo como varões, ou seja, com uma aparência idêntica à de homens, surgiram para transmitir uma mensagem: "Por que vocês ainda estão olhando para o céu? Da mesma maneira que Jesus subiu aos céus, Ele descerá." Essa comunicação ocorreu sem a necessidade de interpretação, dirigindo-se aos galileus na linguagem galileia, que, nesse contexto, era o grego. É notável que, ao longo da história bíblica, quando anjos trazem mensagens divinas, eles se expressam na língua compreendida por seus ouvintes, sem recorrer a idiomas estrangeiros. Embora seja possível que exista uma linguagem exclusiva para os anjos, eles nunca se apresentaram dessa maneira.

Quanto à volta de Jesus da mesma forma como foi elevado, a Bíblia contém considerável conteúdo escatológico que descreve esse evento, especialmente o que o precede, sendo este um tema propício para um estudo mais detalhado.

ATOS DOS APÓSTOLOS (1:1-5)

“Atos dos Apóstolos: Continuação da Obra de Jesus”

“    1 ¶ Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar 2 até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas.

O autor do Livro de Atos dos Apóstolos é o mesmo do Evangelho de Lucas, tornando-o assim uma continuação daquele evangelho escrito por Lucas. Apesar do livro se chamar "Atos dos Apóstolos", observamos que os atos descritos se concentram principalmente nos "Atos de Pedro e Paulo". É claro que todos os apóstolos colaboravam em prol do evangelho, alguns mais nos "bastidores" e outros mais em evidência. No entanto, o nome do livro que realmente caracteriza os diversos acontecimentos seria "ATOS DO ESPÍRITO SANTO", apresentado logo no capítulo 2 de Atos.

A identidade de Teófilo não é confirmada. Alguns o consideram como um indivíduo real que patrocinou a redação dos relatos, enquanto outros o veem como um símbolo, endereçando a carta a todos os interessados em buscar a Deus, uma vez que o nome Teófilo significa "amigo de Deus"

Lucas cita que Jesus antes de ser elevado as alturas deixa alguns mandamentos, vamos recordar:

“44  A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45  Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46  e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia 47  e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. 48  Vós sois testemunhas destas coisas. 49  Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. (Lucas 24:44-49 RA)

No texto, observamos uma ordem clara: permanecer em Jerusalém até que a promessa do Espírito Santo seja cumprida. Contudo, a principal instrução, o mandamento primordial dado às TESTEMUNHAS de Jesus, era que pregassem o arrependimento para o perdão de pecados a todas as nações. O evangelho é mais que isso, mas a principal característica que descreve o evangelho é proclamar as boas novas, a boa notícia: que nossos pecados foram perdoados através da morte de Jesus naquela cruz, e isso se inicia pregando o arrependimento.

 3  A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

Depois de Jesus ter sido morto na cruz, ele ressuscitou e apareceu a todos os apóstolos de forma incontestável, ou seja, não havia dúvidas que fosse Ele, não era alguém muito parecido com Ele, ou algum anjo, era Jesus, e durante quarenta dias ficou com eles ensinando muitas coisas em relação ao reino de Deus.

 4  E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.

Da mesma forma que ocorreu no final de alguns evangelhos, Lucas aqui relembra o que Jesus fez antes de ser elevado às alturas: pediu a todos que permanecessem em Jerusalém aguardando a promessa de Deus. Essa promessa referia-se ao envio do Espírito Santo, o qual era o espírito de seu próprio filho, Jesus.

5  Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.

Não seria necessário um estudo mais profundo sobre o batismo com água para compreendermos que esse tipo de batismo era meramente simbólico do que estava por vir: o batismo pelo Espírito Santo. Contudo, uma análise mais aprofundada estará disponível nos capítulos subsequentes, nos quais surgirão situações em que as pessoas ainda são batizadas pela água. Ao longo do estudo da carta dos Atos dos Apóstolos, testemunharemos uma progressão, um amadurecimento, à medida que as pessoas passam por um processo de compreensão mais profunda da verdadeira graça de Deus.

Nesse processo, muitas doutrinas e crenças antigas, especialmente as relacionadas à lei, como a circuncisão, serão deixadas para trás para dar lugar ao verdadeiro e puro evangelho, à nova aliança. Nessa nova aliança, não dependemos mais de nossos esforços para alcançar a salvação, mas dependemos exclusivamente de Jesus, mediante a fé.

Um ponto relevante é que Jesus anunciou que isso aconteceria não muitos dias após sua conversa com os apóstolos, evidenciando que em certas áreas Ele estava alinhado com Deus, conhecendo os planos de Seu Pai, mas não em tudo. Isso é destacado em algumas passagens escatológicas, nas quais Jesus aponta que Ele, como Filho de Deus, não conhece certas datas, sendo esse conhecimento exclusivo de Deus Pai (Mateus 24:36).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

ADORAÇÃO EM ESPÍRITO E EM VERDADE

 “O Senhor diz: “Esse povo ora a mim com a boca e me louva com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A religião que eles praticam não passa de doutrinas e ensinamentos humanos que eles só sabem repetir de cor.” (Isaías 29:13 NTLH)

 

Que tipo de louvor e adoração estamos dando a Deus? Qual tipo de sentimento temos após participarmos de alguma reunião religiosa? Nos sentimos apenas “satisfeitos” porque cumprimos com nossa obrigação semanal?

 

Má notícia para quando nos comportamos assim: não estamos o adorando em espírito e em verdade:

 

“Não adianta nada me trazerem ofertas; eu odeio o incenso que vocês queimam. Não suporto as Festas da Lua Nova, os sábados e as outras festas religiosas, pois os pecados de vocês estragam tudo isso. As Festas da Lua Nova e os outros dias santos me enchem de nojo; já estou cansado de suportá-los. ” (Isaías 1:13-14 NTLH)

 

Uma igreja pode sim ter princípios e doutrinas baseadas no ministério de quem a lidera, mas se esses “princípios” estiverem acima do verdadeiro e único evangelho de Cristo, seus “fieis” apenas participarão de cultos vazios, legalistas, sem a presença do Espírito Santo.

 

Adorar em espírito e em verdade é estar na presença de Deus não por uma obrigação, não por um ritual, mas por gratidão, por prazer, até pode haver momentos em que nossos louvores sejam entregues a Deus com um certo sacrifício, mas isso não é uma regra, devemos conhecer a Deus, conhecer o plano da nossa salvação, conhecer o sacrifício que Cristo fez por nós naquela cruz.

 

Quando temos a convicção, quando temos a fé de que nossos pecados foram perdoados através da morte de Cristo na cruz, temos a verdadeira liberdade, a verdadeira satisfação, a verdadeira paz, a verdadeira felicidade. Um crente de verdade não procura por felicidade, um crente de verdade já achou a mesma em Cristo Jesus, e quando o crente sabe que está livre da condenação eterna, “nada mais importa”, pois já conseguiu o que é mais importante de tudo nesta vida: A PAZ COM DEUS.

 

Nossa dívida com Deus foi paga por Cristo, e é essa satisfação, esse sentimento de gratidão que deve aparecer em nossos cultos, somente assim saberemos o que é adorar a Deus em espírito e em verdade:

 

“Mas virá o tempo, e, de fato, já chegou, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem. ” (João 4:23 NTLH)

 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

A VERDADE SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2022

“Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal que vivem nas alturas, isto é, os governos, as autoridades e os poderes que dominam completamente este mundo de escuridão. ” (Efésios 6:12 NTLH)

 

Foi só entrar no governo alguém que declarou Deus soberano sobre toda a nação que o inferno todo se manifestou. Querem voltar a ver os 3 poderes da república em harmonia novamente? Querem voltar a ver escândalos de corrupção toda semana? Querem apenas se preocupar com quem vai ganhar o BBB, ou com quem o galã da novela vai se casar, ou ainda quem vai ser o campeão do futebol enquanto roubam nosso dinheiro, pervertem nossas crianças, destroem nossa nação e nosso futuro?

 

Os valores foram invertidos de uma certa maneira que uma cantora INÚTIL é considerada a grande mulher, a heroína do ano enquanto uma professora que foi morta ao salvar várias crianças em uma creche sequer é lembrada pelos jornais. Pregam que uma criança de 5 anos já é independente o suficiente para ir contra a natureza de seu corpo, mas um homem de 17 anos de idade não pode pagar pelos seus crimes porque ainda não é “responsável”.

 

Criaram uma geração que acredita que soltar pombas brancas e mandar “coraçõezinhos” aos bandidos é a coisa certa a se fazer contra o crime, enquanto que tomar atitudes concretas e falar duramente contra a bandidagem é “discurso de ódio”.

 

Tudo isso foi formado em 3 mandatos de esquerda, não vai ser fácil reparar tudo isso, vai levar também todo esse tempo para corrigir, mas se devolvermos para a esquerda o poder, vão dar continuidade nisso tudo e vem mais por aí: legalização de assassinato (aborto), legalização de “pequenos furtos”, legalização do consumo de drogas, perversão nas escolas, proibição de liberdade religiosa, de opinião, e vamos continuar OMISSOS, ISENTOS, vendo tudo isso acontecer?

 

Sei que há pessoas com ouvidos e olhos “sensíveis”, mas entendam, “É MELHOR OUVIR A VERDADE QUE DÓI DO QUE A MENTIRA QUE CONFORTA”. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Temer a Deus: A Chave da Proteção Espiritual

“O Anjo do SENHOR fica em volta daqueles que o temem e os protege do perigo. ” (Salmos 34:7 NTLH)

Deus nos protege através de seus anjos, mas perceba que Ele protege AQUELE QUE TEME A DEUS, isso significa que nosso temor deve ser direcionado a Deus, não a um ser humano, não a alguma ou qualquer autoridade terrena, a chave é temer a Deus, e Deus sabe que quando o tememos, encontraremos também uma forte oposição espiritual que estará constantemente e fortemente nos atacando.

A nossa luta não está em uma dimensão material, mas sim na dimensão espiritual (Ef 6:12). Deus sabe que estamos em ataque constante de nossos inimigos. Mas o nosso Deus tem um apreço tão grande por nossa vida que Ele nos envia “guarda-costas” para nos proteger em toda e qualquer situação:

“Deus mandará que os anjos dele cuidem de você para protegê-lo aonde quer que você for. ” (Salmos 91:11 NTLH)

Mas em momento algum devemos glorificar ou temer aos anjos, devemos estar cientes que esses seres espirituais trabalham para Deus em nosso favor. Esteja ciente também que nem todo anjo é servo de Deus, alguns se rebelaram e foram juntamente com satanás expulsos do céu:

“Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a TERÇA PARTE DAS ESTRELAS do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. ” (Apocalipse 12:3-4 RA)

O dragão que é mencionado acima refere-se a satanás, e a terça parte das estrelas que sua cauda arrastou se refere aos anjos que ele enganou e que com ele foram expulsos para a terra. Isso significa que para cada anjo caído que luta contra nós, existe dois anjos que lutam em nosso favor:

“Eliseu disse: —Não tenha medo, pois aqueles que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles. ” (2 Reis 6:16 NTLH)

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

O QUE ESTÁ TE PRENDENDO?


“De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. ” (Atos 16:26 RA)

 

O verso inicia-se com o “de repente”, dando a impressão de que ninguém esperava por isso: surpreendentemente, subitamente, inesperadamente aconteceu. Mas esse é um dos problemas causados por estudar equivocadamente as escrituras e isolar determinados versículos. Mas que fique claro que não há problema algum em isolar versículos, o problema é quando fizemos explanações equivocadas do verso sem levar em consideração o seu contexto.

 

Se lermos o verso anterior do verso acima, veremos que Paulo e Silas ORAVAM e cantavam antes de acontecer o terremoto que milagrosamente soltou as algemas de ferro que prendiam todos.

 

A “chave” que soltou as algemas foi a ORAÇÃO, independentemente de qual seja o problema que esteja de “prendendo”, não fique “preso” a ele, ORE, louve a Deus, foque naquele que pode operar um milagre e DERREPENDE te livrar daquilo que está te prendendo.

 

A CHAVE É ORAÇÃO.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

HUMILDADE E BAIXA AUTOESTIMA

 “Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair. ” (1 Coríntios 10:12 NTLH)

 

A chave é HUMILDADE. Não confunda humildade com baixa autoestima, na verdade, baixa autoestima pode estar ligada a insegurança, ansiedade ou até mesmo a depressão. Ser humilde não é acreditar que somos incompetentes, falhos ou ainda sem valor algum, mas sim reconhecer que não somos superiores a ninguém, que podemos cometer erros, que podemos ter ideias equivocadas, que somos salvos não por nossas escolhas ou atitudes, mas sim porque Deus teve misericórdia, por que Ele quis, e que se não fosse por Ele, estaríamos caminhando pelo mesmo caminho que nos levaria a perdição, estaríamos ainda mortos em pecado.

 

Devemos ter uma forte autoestima e ser humildes ao mesmo tempo, essas duas atitudes não são antagônicas, o problema é quando confundimos humildade com baixa autoestima, e assim transformam a sua forte autoestima em soberba:

 

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. ” (Romanos 12:3 RA)

 

Não é errado ter uma forte autoestima, o errado é confundi-la e a transforma-la em soberba.

 

Somos mais que vencedores nEle (Jesus) (Rm 8:37), mas quando achamos que somos melhores que outras pessoas, caímos em soberba. Autoestima não é se comportar como se fossemos melhores que outros, não é ter nosso ego sempre inflado, não é ser prepotente, controlador e arrogante. O fato é que não vivemos para nós, vivemos para Cristo (Rm 14:8), e quanto mais colocarmos Jesus a frente de nossas vidas, não por interesse próprio, mas por reconhecer sua soberania sobre nós, mas Ele cresce, e mais nós diminuímos:

 

 “Ele (Jesus) tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante. ” (João 3:30 NTLH)

 

Há uma frase muito conhecida atualmente:  “ No mundo todos querem ser importantes, mas destacam-se os que se importam”

 

Não tenho referência de quem criou essa frase, mas Jesus já havia dito exatamente isso:

 

“[...] quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de vocês. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente. ” (Mateus 20:26-28 NTLH)

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

DEUS TAMBÉM APARECE NOS TEMPOS DE DÚVIDAS

Momentos de crise podem nos trazer dúvidas, mas Deus não pediu a pessoas com fé para terem fé, ele pediu a pessoas com dúvidas para terem fé.

Por mais pequena que possa ser a nossa fé, é suficiente para mover montanhas (Mateus 17:20), qual é a sua montanha? Independente do que seja, saiba que Deus enxerga, e por mais microscópica que possa ser, decida ter fé, decida acreditar, entregue a Deus e o mais ele fará, amém?




sexta-feira, 5 de agosto de 2022

JESUS COMENDO COM OS PECADORES

“Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? ” (Mateus 9:11 RA)

 

Eu parei uma vez para refletir como seria um dos jantares que Jesus tinha junto com os pecadores. Eu imaginei Cristo jantando com os pecadores em uma sala grande e espaçosa, sobre uma mesa de madeira rústica, os cantos da sala tinham pouca luz, e sobre a mesa, junto com os pães, uvas, peixes e outras comidas típicas da época e da região, imaginei também algumas velas e lamparinas a óleo iluminando todos a mesa.

 

Imaginei Ele, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, conversando, rindo, dando gargalhadas, bebendo vinho, imaginei também Ele ouvindo um “palavrão” que “escapou” de algum dos pecadores ao seu redor, imaginei Ele vendo alguém com os pés sobre a mesa, vendo outros se comportando inadequadamente, imaginei Ele assistindo alguém com as mãos sujas se servindo de pão, mas eu não consegui imaginar Ele “alfinetando” tudo e todos: “Não toque nesse pão sem lavar as mãos”, “vai lavar a sua boca suja seu malcriado”, “se comporte a mesa seu folgado”.

 

Não estou querendo dizer que Jesus era complacente com o pecado, mas quero dizer que ele era paciente, amoroso, as pessoas queriam que Ele estivesse por perto e elas queriam estar perto dEle. Jesus não foi uma pessoa arrogante, irritante, controladora, inflexível, Ele era uma pessoa amável, amigável, não à toa despertou inveja e ciúmes das “autoridades” locais como os mestres das leis e dos fariseus.

 

Concluo que devemos sim condenar o pecado, mas não o pecador, devemos sim repreender, ensinar, exortar, mas com amor, com sabedoria. O melhor mesmo seria somente evangelizar, falar de Cristo, falar do amor dEle, do que Ele fez, da salvação que Ele deu a todos nós pecadores. Quando nos preocupamos com o verdadeiro evangelho, percebemos que não temos tempo para julgamentos, nos concentramos apenas em falar daquele que nos perdoou e pagou a dívida impagável que tínhamos com Deus.

 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

CÉU OU INFERNO

“Aí o Diabo, que os havia enganado, foi jogado no lago de fogo e enxofre, onde o monstro e o falso profeta já haviam sido lançados. E lá eles serão atormentados para todo o sempre, de dia e de noite. ” (Apocalipse 20:10 NTLH)

 

Tem muita gente achando que o céu é um lugar tedioso, pacato demais, e que o inferno é um lugar movimentado e divertido. Eu mesmo já ouvi de alguém que preferia ir ao inferno, pois lá poderia continuar a praticar as mesmas coisas que pratica aqui na terra, mas no céu, essa prática não seria possível.

 

ISSO É MUITO SÉRIO, a curta passagem que temos nessa terra não se compara a ETERNIDADE que teremos, ou na presença de Deus, ou junto com o diabo, seus anjos e outras pessoas que não estavam escritas no livro da vida:

 

“Aqueles que conseguirem a vitória receberão de mim este presente: eu serei o Deus deles, e eles serão meus filhos. Mas os covardes, os traidores, os que cometem pecados nojentos, os assassinos, os imorais, os que praticam a feitiçaria, os que adoram ídolos e todos os mentirosos, o lugar dessas pessoas é o lago onde queima o fogo e o enxofre, que é a segunda morte. ” (Apocalipse 21:7-8 NTLH)

 

Não percam tempo, busque a Deus enquanto ainda pode-se buscar (Is 55:6), aproveitem a graça que Ele derramou sobre todos por meio de Cristo, aproveitem a bondade dEle enquanto não chega o dia de sua grande ira (Rm 2:5).

 

Vivemos em uma era tranquila, sim tranquila, pois uma rápida leitura dos acontecimentos históricos do povo de Deus (Israel), vemos que os mesmos eram frequentemente castigados pelos seus pecados. Hoje, vemos o mundo pecando abertamente e sem vergonha alguma por suas práticas nojentas, assistimos pessoas blasfemando contra Deus e contra o seu espírito, vemos uma inversão total de valores, onde o certo virou errado e o errado é aplaudido pelo mundo.

 

Mas não se engane, não ache que estarão impunes do erro porque “Deus é amor”. Não há dúvidas quanto a isso, mas o Deus de amor, que entregou Jesus a pagar a nossa dívida naquela cruz, nunca tolerou o pecado e nunca irá tolerar, aqueles que tem seus pecados perdoados pelos sangue de Jesus Cristo, terão a herança eterna do reino de Deus, mas aqueles que negam a Cristo, carregam em si mesmos todos os pecados, e essas pessoas não terão salvação naquele dia, essas pessoas serão julgadas por todo tipo de blasfêmia, indecência, mentira, e por qualquer outra coisa que desobedeça a Deus.

 

Já ouvi também pessoas dizendo que a bíblia está ultrapassada, que os ensinamentos nela pregado não condiz com a época em que estamos vivendo. Até poderia concordar com elas se tanto a bíblia como o próprio Deus fossem algo inventado por nós, seres humanos, aí sim poderíamos moldá-lo de acordo com a nossa necessidade.

 

Mas a verdade é que nós somos a criatura, nós é que fomos criados, somos nós que saímos fora do padrão de Deus. Somos nós, é nossa sociedade que precisa voltar a obediência, ao arrependimento, somos nós que precisamos nos adaptar novamente a vontade de Deus, e não é Deus que precisa aceitar ou se moldar as práticas pecaminosas do ser humano. 

 

Quando vivemos nas trevas, nada enxergamos, mas basta apenas um “pingo” de luz para mostrar nossos erros, então fica fácil e até conveniente negarmos a bíblia ou dizer que parte dela não está certa e que não foi inspirada por Deus, por que ela lâmpada para nossos pés, é luz para nosso caminho (Salmos 119:105), ela nos faz enxergar, ou melhor, ela expõe todo o nosso erro, toda as nossas falhas, nos mostra o quão santo e puro Deus é, e o quanto precisamos da sua misericórdia.


Mas quem se encoraja a estudar as escrituras, vai também encontrar nela uma Salvação, Jesus Cristo, aquele que a quase dois mil anos atrás largou o seu trono e veio para o meio do povo, aquele que por nossos pecados morreu naquela cruz, aquele que ao terceiro dia ressuscitou e voltou aos céus em gloria para preparar nossa morada, lugar para onde aqueles que o aceitam como ÚNICO E SUFICIENTE SALVADOR irão estar por toda a eternidade.